Clarice Lispector já era adulta, mãe, escritora (conhecida dentro e fora do Brasil), e a admirada por todos á sua volta, quando confessou não saber quem era ela mesma. Isso transparece em muitos dos seus escritos, como uma agonia sem resposta.
“… eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu…”
Clarice Lispector, De um caderno de notas.
Penso então que não devo me culpar se hoje, beirando os vinte, não sei responder à velha pergunta da intrigante lagarta azul “Quem és tu?”.
Muitas vezes durante a vida, me senti como uma estranha em mim mesma. Sonhava em me encaixar oficialmente em algum estereótipo. Quando adolescente, quis ser nerd. Fiz de tudo para conseguir usar aparelhos e óculos quadrados, e tentei mergulhar fundo na cultura pop. Falhei, não passei de uma nerd medíocre: nunca assisti aos filmes de Star Wars e nem consegui acompanhar qualquer HQ de super heróis. Quis então ser uma rainha da moda, com um blog onde ensinava a fazer looks estilosos… não durou nem dois meses: não tinha saco para montar looks.

A questão que me agoniava na época era ter alguns pontos semelhantes àqueles grupos aqui e ali, mas ainda assim não me encaixar verdadeiramente em nenhum. Apesar dos meus esforços, não me passava de alguém medíocre.
Em contra partida, enxergava padrões em meus colegas. Encaixava-os mentalmente em rótulos tão naturalmente… hoje, me pergunto se eles mesmos concordariam com os rótulos que eu os colocava em segredo. Acho que no fim das contas, é mais fácil encontrar padrões com o que se vê nos outros, do que com o que há dentro de si, nesse mar complexo e assustador que é a própria alma. Vai ver é por isso que eu nunca consegui encaixar a mim mesma em algo, porque via de camarote minhas próprias contradições e mudanças.
Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.
autora
Fato é, que sentindo-me medíocre, trabalhei para me tornar 100%. Se vou ser leitora, vou gabaritar todas as manias estereotipadas de um amante de livros. Se vou ser inteligente, não vou aceitar nada menos do que ser a melhor da turma. Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.
Desde muito nova, por exemplo, fazia redações modelo ENEM sem que meus professores tivessem me ensinado… coloquei como meta conseguir a nota máxima na redação logo na primeira tentativa no vestibular, e por um tempo, fiz de tudo para conseguir – para quem quer um spoiler: falhei.
Depois de alguns anos de terapia, pouco a pouco, consegui chegar mais perto de quem eu era, sempre traçando um “antes e depois” a cada passo dado em direção à minha própria descoberta de mim.
Acredito que seja aí que começa a minha história com esse blog.
Ao me conhecer, queria me apresentar novamente para vocês. Através das conversas por aqui, quero compartilhar um pouco dos meus sentimentos, reflexões, contos e até futilidades.
Então…
Senta, fica à vontade. Pegue uma xícara de café, vista suas meias favoritas e venha ler os devaneios, e qualquer coisa não produtiva que me faça feliz.
Bem-vindo, e muito prazer.
Bia Rocha.

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