Ainda dá tempo: o guia prático para recalcular a rota dos seus objetivos

Você nem percebeu e metade do ano se foi… mas eu estou aqui para te lembrar disso. E como somos garotas organizadas, não vamos esperar até ouvirmos perguntar “então é natal, e o que você fez?” para só aí rever nossas metas… vamos fazer isso agorinha. 

Particularmente adoro esses fechamentos de inícios de ciclo para colocar intencionalidade no que faço e refletir sobre como meus caminhos estão (ou não) me levando a meus objetivos. Neste texto, vou te contar como faço para me reorganizar no meio do ano. Coloque suas meias favoritas, pegue uma xícara da bebida que preferir e faça a leitura (de preferência em uma tela grande). 

  1. Se organize para se organizar. 

Esse é o ponto zero da nossa tarefa, mas é importante não pular. Marque na agenda um dia onde você vai criar o projeto “organização semestral”. Ler esse artigo já é algo que vai contribuir para isso, mas existem outros passos a fazer, como separar sua agenda física e digital e estabelecer quão profunda vai ser sua organização. Quer apenas rever os objetivos anuais? Quer se debruçar sobre hábitos e vícios dos últimos meses? Vai olhar para quais áreas da sua vida? Definir tudo isso irá te ajudar nas próximas etapas e te dá clareza de quanto tempo separar para esse projeto. 

  1. Divisão da vida em áreas.

Somos um só, mas ainda assim temos interesses e atributos diversos. Eu por exemplo tenho minha dissertação, projetos como o Mendel Once Said, minha vida financeira, relacionamentos, saúde e etc. Talvez você já tenha feito essa divisão na virada do ano – pode aproveitar ela se fizer sentido para você. Tente pensar em áreas “invisíveis”, como a administração da sua casa. É o momento de refletir com quais coisas você investe seu tempo no dia a dia, e observar coisas que você gostaria de investir mas não consegue.

Manejando múltiplos interesses: 

Você já viu a trend de “personal curriculum” nas redes? A ideia é você fazer um plano de estudos do seu interesse com duração determinada. Eu gostei e já implementei por aqui levando em conta os períodos das estações do ano para montar meu estudo de espanhol. 

  1. Revisão dos objetivos

Se você está lendo esse texto, imagino que já é do seu interesse se manter organizada e focada em seus sonhos e projetos. Por isso, deduzo também que tem suas metas mais ou menos claras e pode até mesmo ter escrito elas em algum lugar na virada do ano. Ótimo, isso vai facilitar muito seu trabalho: basta agora reler e relembrar seus objetivos e avaliar o que tem feito para se aproximar dele. Quão perto você está do objetivo em comparação com o começo do ano? 

Não se sinta mal se algum de seus objetivos não faz mais sentido para você. Nem sempre conseguimos ter clareza de como será nossa vida no futuro, as coisas mudam muito rapidamente e às vezes inflamos nossa capacidade de atingir objetivos na nossa mente. Você não é uma máquina, pegue leve com você mesma. 

Minha experiência…

Eu tinha o objetivo de fazer autoescola esse ano (2026). Já estou há um tempo com esses planos e achei que agora que terminei a faculdade e o custo baixou, isso seria mais viável. Porém, previ errado as demandas do mestrado e o quão cansativo poderia ser. Percebi que esse objetivo não é minha prioridade do ano e posso empurrar para o próximo, e tudo bem! 

Por fim, defina quais objetivos vai manter e se precisar, adeque seus para que façam mais sentido para sua versão de agora (a para quem você quer se tornar). 

  1. Quebre seus objetivos

Você bolou uma linda lista com seus objetivos do ano, e agora está na hora de quebrar eles em hábitos e pequenas tarefas com prazos mais curtos. Por exemplo, se você, assim como eu anteriormente, quer começar a dirigir em 2026, o primeiro passo pode ser procurar autoescolas — e você pode criar um prazo para isso. Um hábito pode ser fazer as aulas x vezes por semana. 

Se possível, faça isso com todos seus objetivos, transformando-os em tarefas menores e hábitos semanais ou diários. 

  1. Mantenha o foco com criatividade

Sei que tudo parece lindo quando estamos apenas imaginando nossos sonhos se tornando realidade — o difícil mesmo é trabalhar todos os dias para alcançá-lo. Para te manter inspirada, existem alguns recursos. Eu monto vision board com imagens que representam meus objetivos e mantenho uma pasta no pinterest que alimento frequentemente. É claro que não podemos depender apenas da vontade, é preciso ter disciplina. Maaaas se manter inspirado ajuda muito. Encontre a forma que você mais gosta e se comprometa com você mesma.

Eu amo conversar sobre planejamento, e espero que esse guia tenha te ajudado. Posso trazer mais conteúdos como esse! Pretendo registrar minha organização pessoal no meu perfil do TikTok, @hey.biarocha, se tiver interesse em acompanhar por lá.

Por que escrevo?

Por que escrevo? Muitos autores já se dedicaram a responder essa pergunta, e existem diversas obras escritas que se dedicam a explicar a complexidade desse ofício. Mas eu, mal escritora que sou, nunca havia parado para pensar sobre isso. O desenrolar mais óbvio da minha resposta seria: “escrevo porque sinto que sem a escrita, morreria”. Porém, isso já se provou incorreto. Passo meses sem visitar minha escrivaninha para escrever com minha alma, e nem por isso morro. Mas também não seria justo definir o processo de escrita como algo que se reduz ao instante literal de transformar o coração em palavras. Minha escrita começa quando estou olhando o brilho do sol por entre as folhas. Quando sinto saudade de quem amo. Quando sinto a textura dos lábios-amados encostando em meus lábios-amantes. Quando faço as coisas simples da vida com paz e contentamento. Mas, ainda assim é preciso me sentar com um papel e caneta, ou mesmo com meu notebook, e consumar o ato, um orgasmo de palavras que partem de algum lugar bem profundo em mim e fluem até a ponta de meus dedos.

Me sinto tão intima com as palavras, apesar dos desencontros com elas. Quando era mais nova, sentia ainda mais forte o ardor que me levava até o caderno para rascunhar histórias. Sonhava com meus livros… a vida acontece e nós esquecemos de nossos personagens. E quando a gente abandona eles, é como se abandonássemos um pouco de nós mesmos, sabe? Meu coração fica apertado quando penso que não há tempo o bastante para fazer tudo que queria fazer na minha existência, e a escrita é algo que não posso deixar para trás.

Sinto como se um dia eu fosse chegar ao médico, me queixando de alguma doença misteriosa e a recomendação para me curar seriam duas horas de escrita todos os dias, com uma dose de café coado para acompanhar. Seria delicioso seguir as recomendações médicas!

Bem, na verdade, escrever nem sempre é delicioso. Às vezes, escrever dói. Os ditos e não ditos sufocam algo na gente, e de repente as palavras entopem o fluxo da alma até as pontas dos dedos e simplesmente não chegam no papel. A dor de escrever, é o não escrever. Acho que às vezes, a gente procrastina para encarar nossa escrita porque sabemos que há uma enorme chance das palavras não virem. Ninguém entende a agonia de quando as palavras não vêm… aí a gente se engana e começa a achar que é melhor nem tentar. Não tentando, podemos dizer “ah, sabe como são as coisas, né? O tempo passa muito rápido…”. E passa. E as palavras se vão. As histórias que vieram até nós para escrevermos, procuram outras mentes para atormentar (e tomara que essas as escrevam!).

Gloria Anzaldúa diz que: “escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever”. Acho que sinto um pouco isso. A ideia de morrer e levar meus textos não escritos comigo me atormenta. Claro que o simples fato de escrever sem que ninguém venha a me conhecer como autora, não garante que meus textos não se percam no infinito informacional. Mas ainda assim, os textos estariam lá, a prova da minha passagem pelo mundo em um caderno fechado num quarto que ninguém habita.

Não me importo muito com o que acontecerá aos meus escritos no futuro, ou mesmo se alguém lerá um dia. O que me importa é o que a escrita faz a mim aqui e agora. E o que ela faz a mim? Acho que talvez eu nunca saiba explicar.

De todo modo, a escrita é necessária para me fazer quem sou. Acho que nunca sou tão eu mesma como no instante em que estou escrevendo. É como se meu espírito se conectasse a algo maior. É meio estranho dizer isso, eu sei, mas essa é a forma mais próxima para explicar meu sentimento. Nada na vida me faz mais inteira do que escrever. Não sei se todo mundo se sente dessa forma e realmente gostaria de saber como a escrita funciona para as outras pessoas… mas para mim, escrever é a única forma de ser eu.

Posso estar viva sem a escrita, mas jamais serei eu mesma. É íntimo e intenso, eu nem sei mais se faço isso bem… mas ainda assim preciso continuar.

Memento Mori


ana suy escreve que, na verdade, não sabemos que vamos morrer. a gente só sabe disso na teoria, mas a real é que a gente não conhece o peso da certeza da morte… até porque, se tivéssemos a real consciência da delicadeza da vida, ficaríamos paralisados, pois viver é um grande risco. a gente imagina pra si uma vida que não acaba, nos anestesiamos um pouco do peso da morte. em contra partida, é necessário que vez ou outra reflitamos a respeito da morte ou ao menos sobre o efeito do tempo, para que não joguemos a vida em total descaso — que valor tem a vida se não pela sua efemeridade? Escrevemos em nossa pele “memento mori”, elaboramos textos sobre dar valor aos momentos que são todos passageiros, nos esforçamos para lembrar uns aos outros de que vamos morrer. mas também nos resguardamos na nossa corajosa fantasia da não morte. 

gosto disso de inventar pra si algo. acho que nossa capacidade de inventar pra si algo diferente, mais bonito ou melhor muda realmente o destino de nossas vidas. é preciso poder imaginar algo para si, algo só seu, para depois tornar realidade. se você não imagina, nunca vai acontecer. e não estou falando de “manifestar para o universo”… estou querendo dizer que o primeiro passo para realizar algo talvez seja imaginar algo. 

claro, não podemos viver sempre no mundo da lua e uma dose de realidade faz bem (afinal, saber que vamos morrer nos ajuda a, por exemplo, cuidar da nossa saúde). mas se fôssemos realmente ter clareza da realidade, ficaríamos paralisadas… não apenas com o medo da morte, mas com o medo do desastre climático, a consciência das classes sociais difíceis de driblar, do machismo e até com nosso própria passado — isso para citar apenas algumas das coisas trágicas da nossa realidade. 

renato russo canta que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira, mas talvez seja necessária algumas mentirinhas que inventamos para nós mesmos. 

no fim, talvez a vida seja sobre narrar para si uma mentira bonita que vira verdade. 

Divulgar Ciência

Texto original escrito para o curso de Biomedicina do Unifeso. Em agosto de 2025.

Imagine só: você está em um país completamente diferente, em que você não domina a língua, não sabe as leis ou a cultura e se sente completamente perdido. De repente você deseja que tivesse alguém ali, uma espécie de tradutor que não apenas traduz, mas conversa com você e entende suas necessidades frente àquele mundo misterioso que deseja desbravar. 

Bem, essa é a missão (ou apenas uma das missões) do divulgador da ciência com para a população. Não se trata de um salvador que vem em tom de superioridade, mas sim uma pessoa que se propõe a dialogar com o público de maneira participativa, fazendo o meio campo entre ciência e sociedade. Mas divulgar ciência não é uma atividade exclusiva para influenciadores digitais do meio científico, ou jornalistas da ciência e saúde. Engana-se quem pensa que para seguir uma carreira na área da saúde seria desnecessário desenvolver a expertise de falar com o público, uma vez que fazemos isso a todo momento. 

Seja para explicar o procedimento estético a um paciente, discutir os resultados dos exames com colegas, pacientes e parentes, ou simplesmente para convencer um familiar querido que a vacina é segura, a habilidade de comunicação é necessária em quase todas as atividades no âmbito profissional e pessoal. Quando falamos a respeito da formação do profissional biomédico, a importância da comunicação é ressaltada pelo próprio Código de Ética. No artigo 13, que discursa a respeito das relações do profissional biomédico com a coletividade, o inciso de número I busca impedir práticas que, por ação ou omissão, prejudiquem o ser humano ou a saúde pública. Sabemos que a omissão de fatos científicos pode muitas vezes colocar em risco a saúde individual e pública – o que reforça a urgência do conhecimento de comunicação pelas futuras biomédicas e biomédicos. 

No final de julho de 2025, estive no “Seminário Educação, Informação, Comunicação e Saúde: Proteção contra a desinformação”, realizado pela Fiocruz Bahia. O evento me levou a refletir ainda mais sobre a urgência de inserir comunicação/divulgação científica na lista de prioridades durante a formação. Como cidadãos e futuros profissionais da saúde, é preciso atuar no nosso ciclo (família, comunidade local, futuros pacientes, amizades e etc.) como pequenos agentes contra a desinformação que assolam as redes sociais e a internet. De maneira acessível, ética e (principalmente) afetiva, nossas vozes podem mudar vidas em nossa volta – e não é necessário que você crie uma conta no Instagram ou TikTok para postar vídeos profissionais sobre células eucariontes ou qualquer coisa do tipo (embora, se quiser fazer, tem todo meu apoio!). Você pode simplesmente se tornar mais disposto a conversar sobre ciência e saúde de maneira informal com quem você ama – e isso já seria transformador. 

Nesse mesmo seminário que citei, nosso grupo de pesquisa ofereceu uma oficina de memes para adolescentes do ensino médio, e tivemos a oportunidade de conversar com eles de maneira divertida a respeito do Sistema Único de Saúde. E como retorno, também aprendemos muito com eles. Mas o momento mais lindo que vivenciei neste dia foi quando o professor dos adolescentes agradeceu ao nosso grupo, com olhos marejados de lágrima: “eles estão tendo uma oportunidade que eu nunca tive”, disse. E nós também lhe agradecemos com lágrimas presas nos olhos. E aí está mais uma razão para divulgar ciência e saúde: simplesmente porque isso é bonito demais. E eu acredito de todo meu coração que a comunicação (ou educomunicação), muda a história de pessoas e comunidades. 

Te convido a participar dessa mudança junto a um grupo de estudantes que se interessam por esse tema. A Liga Acadêmica de Divulgação Científica está sempre aberta para novos integrantes: é só enviar uma mensagem no nosso Instagram @ladc.unifeso que lhe damos mais informações. 

Divulgar ciência é muito mais do que apenas traduzir conhecimento: é diálogo, é compreensão, é afeto. E, além de tudo isso, é transformador. 

Lá e de volta outra vez ou Medo de Fracassar

Fui tomada por uma súbita vontade de escrever. Não precisa ser algo bom… apenas escrever.

Então aqui estou eu.

Estou me perguntando se o nome desse blog não deveria ser algo importado do Tolkien e colocar logo “Lá e de volta outra vez”, pois estou sempre indo e voltando. Queria poder dizer que as coisas serão diferentes agora, que vou postar mais, fazer um cronograma, ou sei lá o que. Mas não vou me comprometer com nada, desculpe.

Para ser honesta comigo mesma, eu bem que deveria fazer disso um compromisso. Talvez ano que vem eu consiga me organizar, mas por enquanto, esse cyber espaço servirá justamente para ser um porto seguro: sem peso, sem julgamentos, sem métricas. Um lugar amigável para quando precisar de um abraço, como agora.

Eu não posso negar que amo escrever. Juro, até mesmo escrever a introdução do meu tcc foi uma alegria. Quero me encaminhar para uma vida de mais escrita – e sinto que está funcionando.

Não cheguei a falar aqui, mas o que estou vivendo esse ano é a realização de um sonho… mas ao mesmo tempo que estou muito feliz indo por um caminho que almejei desde o início da graduação, também não me sinto merecedora… não sinto que estou fazendo o bastante para merecer isso. Não sinto que estou me esforçando o bastante.

Mas em contra partida, será que isso não é bom? Talvez eu tenha finalmente entendido que não preciso estar exausta para estar fazendo algo significativo. Talvez eu só não esteja acostumada a fazer algo que realmente amo e vejo significado, e ter uma remuneração pelo meu trabalho.

Meu coração tem sido vítima de algumas ansiedades. Será que vou ter dinheiro para sair da casa dos meus pais um dia? Será que vou realmente conseguir passar para o mestrado? Será que vou ser feliz em uma carreira acadêmica? Será que não deveria fazer uma outra graduação? Será que alguém um dia vai me contratar?

Bom, talvez essas perguntas sejam normais para uma pessoa que está prestes a se formar.

Mas sério, estou com medo de fracassar. Toda noite eu me deito e penso isso. Queria que as coisas fossem mais seguras.

Tem amigo meu casando. Sério. E não são os primeiros! E eu aqui, sinceramente não sei quando vou ter dinheiro para ter casa própria, e nem carteira de motorista eu tenho. Fico em casa brincando de influencer, leio uns artigos, escrevo umas coisas. Juro, se pelo menos eu tivesse sucesso nessa história de ser blogueira… a internet tem seus favoritos. Faço conteúdo desde 2017 e nunca tive sucesso. Não estou querendo choramingar nem nada, mas é que tanta gente sem graça e fútil faz sucesso…

E ai é claro que vou ter medo do fracasso. Sabe, quando eu era criança, eu tinha uma visão muito boa de mim mesma. Eu realmente me achava acima da média, sentia que teria sucesso em absolutamente tudo que eu poderia tentar. Mas fui crescendo e comecei a perceber que tudo que eu faço é sempre meia boca.

Assim, eu posso até me esforçar (e me esforço!), mas sempre terá alguém melhor do que eu. E durante a graduação, fui percebendo isso com maior clareza através dos “nãos” que eu recebia.

Ok, mas não vamos ser simplesmente autodepreciativo por aqui! Eu definitivamente recebi um graaaaande “SIM” esse ano. A questão é que desde que recebi esse “sim” estou apenas esperando alguém tirar ele da minha mão, ou eu desperdiçar essa chance, ou perceberem que não sou tão boa.

Diário de Viagem: DOFF

Se você me acompanha no Instagram, deve saber que viajei com meu belissímo namorado João Breder do blog Cripta do Conhecimento para São Paulo, com o objetivo de participarmos da DOFF.

Caso você seja uma pessoa normal e não conheça esse evento, a DOFF é um evento nerd. Muito nerd. Nerd do tipo que pinta miniaturas de RPG, joga RPG e gasta muito, muito dinheiro mesmo, em jogos de tabuleiro. Bem, nada contra esses nerds. Aliáis, eu não falei ainda, mas o João estava indo ao evento como mestre de RPG da Arena do evento. Então, nós somos os nerds. Ok, a gente não gasta tanto dinheiro em jogos de tabuleiro por enquanto porque, pasmem, não temos 800 conto sobrando sempre.

Nesse fim de semana de viagem pude conhecer vários nuances de nerds. Sai da minha bolha e conheci um mundo diferente, o que é bem inspirador. Decidi compartilhar pela primeira vez um registro detalhado do meu passeio… quem sabe eu também não registro aqui os próximos?

Antes da viagem

Na semana que antecedeu a viagem, eu estava extremamente tensa e estressada. Eu tinha muitos motivos para isso:

  • Estamos de mudança, o que significa que meu apto está se tornando inabitável pouco a pouco. Isso me deixa beeeem irritada.
  • Tinha exatamente R$6,66 como limite no cartão de crédito. Além de estar sem grana, também estava levando o número da besta – o que deve dar azar.
  • Meu gatinho Edgar Allan Poe está doente com uma dermatite que deixou ele praticamente sem pelo. Já iniciamos o tratamento com uma dermatologista, mas eu ainda estou nervosa quanto a isso.
  • Minha mãe estava com dores intensas e precisava de ajuda. Me senti culpada por sair enquanto ela estava mal.
  • Precisei pedir liberação do trabalho. Ah, mas você é filha da chefe! Isso torna tudo mais simples! Mas na realidade, eu fiquei com peso na consciência de estar deixando minha mãe e minha patroa na mão ao mesmo tempo, bem no feriado em que teríamos muito movimento. Eu sou ou não sou um ser humano terrível?

Mesmo com esses motivos, eu também tinha razões o bastante para seguir em frente e acompanhar meu namorado nesse evento tão importante para ele. Além disso, os planos já estavam feitos há tempos, e talvez eu não devesse me sentir tão mal assim por ir me divertir um pouco… né? Comprei snacks, fiz minha mala, e embarcamos no ônibus. Durante os primeiros 50 minutos do trajeto, li “Falando o mais rápido que eu posso” de Lauren Graham. Nas horas seguintes, dormimos.

Dia 1 do evento

A primeira coisa que chamou minha atenção no evento foi a quantidade de pessoas. Eu odeio lugares cheios, e meu deus, que superlotação! Fiquei nervosa algumas vezes e me sentindo presa. Mas, ainda assim, era tudo novidade e queria viver o evento ao máximo.

Sabe aqueles nerds estereotipados que a gente vê em filmes de high school estadunidense? Bem, sinto muito em dizer que eles existem! Me surpreendi com essa descoberta. Quer dizer, eu sempre tive uma quedinha em nerds e felizmente encontrei o meu… e parece que o meu nerd é um dos últimos nerds cheirosos e limpinhos que existem. Corram, meninas! Essa espécie está em extinção!

Não quero aqui ofender ninguém, mas sinceramente, alguns realmente pareciam estar há alguns dias sem tomar banho. E além disso, em uma das palestras um cara do meu lado tirou da mochila uma coca de dois litros e bebeu ela como quem está bebendo água. Juro! Vi isso com meus próprios olhos! Acredite em mim!

No meio de tudo isso, ficou muito escancarado para mim que o mundo do nerd é um mundo masculino. Havia bem menos mulheres ali, e muitas das que estavam pareciam apenas estar acompanhando. A notícia boa é que as meninas que realmente pareciam nerds de verdade, eram limpinhas!

No dia 1, gastamos todo o nosso orçamento com compras. Visitamos o Indie Valley, fomos em vários stands de editoras de RPG e olhamos alguns jogos de tabuleiro. Vou falar das comprinhas em detalhes mais tarde. Assistimos palestras inspiradoras sobre RPG que me deram dicas valiosas sobre contação de história e fluxo de criatividade. Uma pena que já não me lembro mais de nada! Em 2025, espero que levar um caderninho.

Por último, assistimos a premiação chamada Goblin de Ouro. Foi divertido ver nerds felizes e torcendo pelos seus favoritos. Mas o ponto alto foi a vitória de duas podcasters… ao receberem o prêmio, uma delas começou a compartilhar o peso em seu coração a respeito da tragédia do Rio Grande do Sul. Seu discurso foi um convite a todos que se envolvessem politicamente em pautas climáticas. Me arrepiei e quase chorei junto delas. Sinceramente, esse episódio me inspirou demais e vai marcar meus próximos passos.

Ao término do evento, foi a hora de turistar. Eu havia pesquisado sobre uma hamburgueria de temática retrô, então fomos conhecer. O ambiente é uma graça, o preço era bom. Meu hamburguer estava uma delicia e nossas bebidas bem refrescante. Voltaria lá mais vezes!

Dia 2

No segundo e último dia, já estava mais acostumada com o tumulto. Chegamos mais cedo, pois era o dia do mestre flame reaper brilhar. Montamos a mesa, eu li sobre meu personagem (a nerdola cheirosa aqui joga também!) e tirei umas fotos. Isso tudo antes do evento abrir para o público geral! Pois é, somos importantes… entramos na entrada da imprensa! heheh

O João provavelmente vai contar mais sobre isso para vocês lá no blog dele, mas o One Shot que ele escreveu foi inspirado em um pesadelo que eu tive (aparentemente vou precisar começar a patentear meus pesadelos! hahahah). Não vou contar qual é da história – os curiosos terão que ler no Cripta e descobrir por si mesmo. Minha personagem era uma clériga anã, devota de um deus dragão. Ela também fazia pãezinhos para órfãos. O nome dela era Dorotha Pão-Fresquinho.

Uma menina estava tendo seu primeiro contato com RPG na nossa mesa, e foi divertido ver ela fazendo mil perguntas. O problema foi que ela parecia muito interessada no meu nerd cheiroso. Ei, esse tem dona! Vá procurar o seu, e boa sorte!

Nesse dia não tínhamos mais dinheiro para comprinhas, então ficamos só perambulando, jogando alguns jogos e assistindo palestras (confissão: dormi em uma delas. Desculpe!). Foi nesse dia que consegui um autógrafo do Leonel Caldela, que me deu bônus para matar monstros no Tormenta 20. Eba!

Tivemos mais sorte do que no dia anterior com o almoço. Fomos até uma padaria onde comemos batata frita e tomamos coca-cola (já estava virando um deles!).

De noite, após o término do evento, se aproximava o momento de voltar para casa. Eu estava ansiosa para esse momento, só queria dormir! Nada melhor que pegar no sono no ônibus de viagem, amigos.

Roupinhas

Outra coisa que aprendi no fim de semana em São Paulo foi que os paulistas tem bom gosto. Pela manhã, uma moça no hotel elogiou minha roupa. Obrigada, meu bem! Eu sei que estou linda! Mais tarde no mesmo dia, uma menina que conheci na fila do banheiro feminino elogiou meu cabelo. Ah, obrigada! Fico feliz que tenha reparado. Esses inúmeros (dois) elogios, me impulsionou para escrever esse trecho sobre minhas roupas.

No dia 1, apostei no look nerdola. Vesti minha jardineira jeans larga, que me faz ficar mais baixinha e gordinha do que já sou, e ainda assim eu fico linda nela. Enchi ela de bottons (alguns eu comprei no próprio evento e abotoei na hora!). Estava com uma blusinha de gola alta amarela e meus famosos brincos do Efalante. Ah, acabei de lembrar que nesse dia elogiaram minha tatuagem de gatinho! Sim, sim, eu sei. Essa tatuagem me deixou muito mais gata do que eu já era antes, obrigada por reparar. Me maquiei com um degradê de amarelo e rosa e fiz um delineado de gatinho.

No dia dois, minha preocupação era ficar confortável, já que ficaria com aquela roupa durante toda a madrugada. Mas ainda assim, vesti uma blusa linda de xadrez verde com uma calça jeans confortável. Na orelha meus mais novos brincos de asa de fada e um delineado simples preto no olho. Meu cabelo estava especialmente radiante.

Comprinhas

Aqui vai uma lista do que eu comprei/ganhei do João no evento:

  • Um poster de 90cm que mostra flores brasileiras… vai ser uma ótima decoração para o meu novo quarto!
  • Um livro sobre Plantas Antibióticas. O livro é belissimo e quero muito ler. Me apaixonei pelo fato da autora ser uma jornalista herbalista. Pena que a capa foi feita por IA!
  • Adesivos brilhantes. Fiz uma promessa para mim mesma há um tempo atras de nunca mais economizar nos adesivos. Passei toda minha vida escolar sem usar meus adesivos que vinham nos cadernos, e posso te garantir que seria mais feliz se tivesse usado. Por isso, hoje eu compro (e uso!) adesivos.
  • Brincos divertidos. Bem, agora temos mais opções de brincos que traduzem muiteza! Pois é, entrou na coleção um brinco de asas de fada, um brinco de poção mágica e um do Jack de O Estranho Mundo de Jack.
  • Coldre de livro. Você sabia que algo assim existia? Eu não, e amei! É um negócio que encaixa no seu cinto, aí você pode carregar livros pendurados na sua calça! Ok, falando assim é meio estranho, mas eu juro que é super legal e muito estiloso.
  • Jogos educativos. Cara, isso foi sensacional. João me deu de presente e eu estou simplesmente apaixonada. Vou deixar para falar deles mais tarde, mas eu amei!
  • Bottons de RPG. De druida e clérigo, minhas classes favoritas.
  • Botton e print de vacina. O Zé-Gotinha dando um mata-leão num negacionista? Isso vai para a minha parede com certeza!

Inspiração

Ok, eu não esperava por isso quando sai da minha cidade para ir a um evento nerd, mas tenho que admitir: foi muito inspirador! Primeiro porque, o simples fato de sair da rotina, furar a bolha, ir a um lugar diferente… isso já é super inspirador! Mas lá na DOFF, encontrei algo que fez brilhar novamente a estrela da Divulgação Científica que existe no meu coração.

Caso você ainda não saiba, eu fundei uma liga acadêmica na faculdade. É de Divulgação Cientifica, coisa que sou apaixonada. O problema é que a faculdade (e tudo relacionado) vem perdendo a magia pra mim. Estou me esforçando para voltar a me empolgar por assuntos que antes eu naturalmente vibrava. Esse ano estamos fazendo um estudo sobre gamificação e divulgação científica, então tenho estado atenta a esses assuntos. Por isso, fiquei muito entusiasmada quando encontrei, não um, mas três criadores independentes de jogos que fazem divulgação científica!

Ver pessoas diferentes se arriscando e fazendo coisas inovadoras, trilhando caminhos que podem parecer confusos, ajudando pessoas a educarem outras pessoas… isso é tão lindo!

Em um dos jogos, as meninas que criaram são designs que ficaram sensibilizadas durante a pandemia e criaram um projeto para explicar para as pessoas sobre doenças e sistema imunológico. Os jogadores são as doenças e precisam matar o humano. Genial!

Em outro jogo, o objetivo é criar cidades sustentáveis. É preciso equilibrar a economia e reduzir o carbono… ao fim da rodada, o jogador precisa enfrentar um desastre ambiental. As cidades melhor planejadas são as que melhor atenuam os efeitos. Acho que esse foi o que eu mais gostei! Vou precisar jogar com o meu pai e tentar mais uma vez convencer ele que o aquecimento global existe.

Também fui inspirada em outros campos além do científico. RPG é em si é um tema muito criativo e divertido, e foi bem legal ouvir as palestras. Mas nossa conversa fica por aqui.

Sou muito grata por esse fim de semana que me surpreendeu e me tocou de várias maneiras.

Até a nossa próxima conversa.

20 coisas que aprendi em 20 anos

Já é conhecimento de todos vocês que meu aniversário se aproxima (falta menos de um mês!) e eu estou super animada para mudar de dezena. Vinte anos! Nem eu achei que viveria até aqui. Sinceramente, achava que o mundo acabaria em 2020 (e que ano, hein!). Felizmente, sobrevivemos. E como estou reflexiva entrando nessa idade que pra mim é muito importante e representativa, decidi listar 20 coisas que aprendi (sobre mim, sobre os outros ou sobre a vida) durante esses 20 anos.

Vamos lá.

1. Existe uma mini bia dentro de mim que me cobra de maneira exaustiva em coisas minúsculas. Geralmente, quando eu estou ansiosa, é ela quem está no comando.

2. Ajudar os outros me faz feliz

3. ⁠Precisamos aceitar que vamos decepcionar nossos pais. Assim como nossos pais já decepcionaram os pais deles. É normal e complexo (quem sabe podemos conversar sobre isso em outro post?)

4. ⁠Me sinto viva quando ando de bicicleta

5. ⁠Sinto saudade das joaninhas e insetos.

6. ⁠Meu maior sonho é ser mãe e construir minha própria família.

7. ⁠Quando estou em dúvida a respeito da minha essência, é em Deus que preciso procurar.

8. ⁠Os adolescentes são muito injustos com os próprios pais.

9. ⁠Tem como ser uma adulta sem ser chata! Oba!

10. ⁠Trabalhar é gratificante.

11. ⁠Adoro fazer as pessoas felizes.

12. ⁠Preciso muito de momentos sozinha.

13. ⁠Gosto do silêncio.

14. ⁠A ciência é o “lugar” onde mais me encontro com o divino.

15. Escrevo porque preciso. É mais difícil _não_ escrever.

16. ⁠Seja a pessoa maluca na rua: você se torna muito mais feliz quando se permite dançar na chuva – e ninguém vai lembrar disso amanhã. Ninguém se importa o bastante.

17. ⁠A gentileza talvez seja a coisa que mais te leva longe na vida. Ainda é cedo demais para concluir algo.

18. ⁠Ninguém precisa gostar de ler. É um saco ficar obrigando as pessoas a gostarem de algo só pq algumas pessoas acham chique ou erudito. Se manca.

19. ⁠Chocolate com café é uma ótima combinação

20. Sinto saudade de ser criança

Nunca perca sua muíteza.

Quem me conhece sabe o quanto a vida acadêmica é importante para mim. (Inclusive, já citei isso em outros textos aqui no blog, e estou falando sobre isso mais uma vez… para vocês verem como isso é sério. Mas enfim…) O devaneio de hoje veio a partir de um desejo que tá na minha cabeça há tempos: pintar o cabelo de rosa. 

Aí você me pergunta: “Bia, o que tem a ver pintar o cabelo de rosa com o desempenho acadêmico?” Boa pergunta, caro leitor! Eis a explicação: 

Há uma senhorita influencer do mundo acadêmico que sigo nas redes sociais. Eu a via como grande fonte de inspiração (ou seria melhor dizer “comparação”?), já que a garota é mesmo impressionante: até em Harvard ela já estudou. Também é do campo em que eu sonho estar um dia, na pesquisa em saúde. O problema tem origem no momento em que eu decido que, para ter sucesso, não bastaria apenas dar o melhor de mim: eu teria que seguir todas as dicas mágicas dela. Que claro, ela vendia por um valor exorbitante. 

Eu estava obcecada, passava 80% do meu tempo falando dela e suas leis para sucesso e os outros 20% torcendo para alguém falar, para que eu falasse um pouco mais.

Calma, eu não cheguei a comprar o curso dela. Mas estava verdadeiramente cogitando. Eu estava obcecada, passava 80% do meu tempo falando dela e suas leis para sucesso e os outros 20% torcendo para alguém falar, para que eu falasse um pouco mais. (curtiu a referência, hein hein?) * rindo de nervoso. *   Assistia a todos os stories, lia todos os posts (incluindo as gigantescas legendas de reels que passavam dicas importantíssimas). Estava perto de venerá-la… e secretamente, também a invejava. Mas não é sobre inveja que vamos falar hoje (embora seja um assunto que pode render uma boa crônica mais tarde). 

Bem. Certo dia, essa influenciadora começa a falar sobre como devemos nos vestir. Segundo ela, temos que ir para a faculdade como se fossemos ser os apresentadores do Oscar. (ok, não é pra tanto). Mas ela defendia que devíamos nos vestir todos os dias, para todos os lugares, impecavelmente. Roupas no casual chic, sapatos brilhantes. Mas nada muito diferentão: vista-se como os outros… como seus professores. Como os professores de seus professores. Ou ainda melhor: como os professores de alguma universidade europeia elitista e muito muito muuuuito longe da sua realidade atual. Você não quer se vestir como um homem idoso europeu, intelectual e rico? Sinto muito, então você será pra sempre medíocre. 

É mais ou menos essa a teoria dela, e eu até concordo em parte. CALMA, DEIXA EU ME EXPLICAR! Não é novidade que a aparência é algo muitíssimo importante, e comunica algo. Não pega bem ir para a faculdade de pijama, por exemplo. Ou apresentar um seminário como quem acabou de sair da academia. Mas falar pra mim que eu tenho que me vestir todo dia com a seriedade de um professor phd da suécia? MONA, EU NEM TENHO 20 AINDA. TE MANCA!

uu, ok.  Deixa eu acalmar os ânimos. 

Na época que vi essa teoria, acreditei. Faz sentido, e infelizmente, pode até ter muita verdade nesse pensamento. Me cobrei para obedecer esses mandamentos, e passei a me preocupar não só com a roupa que ia na faculdade, mas a seriedade no estilo devia me acompanhar em todo lugar. Afinal, eu poderia encontrar algum professor no supermercado e acabar com as chances de conseguir uma bolsa de iniciação científica por estar usando chinelo. Né? 

A vida adulta (eu estou começando a descobri-la) não é fácil… Por que a gente coloca tanto peso em si para deixá-la ainda mais insustentável?

Graças ao bom Deus, não sustentei essa loucura por muito tempo. Contei para minha psicóloga sobre essa influenciadora, expliquei a ela todo o status que a estudante mostrava ter e falei de suas teorias sobre sapatos brilhantes=futuro brilhante. Terminei de explicar o caso e acrescentei: “eu queria tanto ser ela!”. Minha psicóloga respondeu: “Não, você não quer ser ela. Você pode querer chegar onde ela está, mas ela não tem nada a ver com você.” 

Cara… ela não tem nada a ver comigo. * explosão mental * 

  Nos dias que se sucederam, comecei a pensar no que teria a ver comigo afinal. (Parece que todos os textos têm tido esse ar de “quem és tu”. Crise dos 20 é sintomática, amigas.) Mais especificamente, comecei a pensar como EU gosto de me vestir, e o que EU gosto de comunicar com minhas roupas. Pensei também em como as pessoas ao meu redor se vestiam, com quais roupas meus professores davam aula e etc. Observei algumas coisas, que posso descrevê-las aqui para vocês: 

  • Gosto de me divertir montando looks. Essa percepção veio quando eu adquiri um par de brincos do Efalante (personagem de Ursinho Pooh), no dia seguinte da conversa com a psicóloga. Spoiler: usei eles na faculdade. 
  •  Para mim, conforto é importante. Conseguir usar roupas que me permitem ficar sem sutiã, sentada confortavelmente, e com pés descansados… isso é ELITE. 
  • Gosto de me sentir como uma protagonista de um filme alto astral. Gosto de colocar elementos coloridos nas roupas, ou então me aventurar em uma estética mais senhor-inglês-fofinho. 
  • Vejo a roupa como uma forma de me expressar em cada dia. Nem sempre estou igual, mudo a estética como mudo o humor. Estou me descobrindo.

Bem, em suma, era isso que eu tinha para compartilhar a respeito do meu estilo. Agora, voltemos para a problemática principal.

Tenho vencido essa mentalidade da influenciadora. Não só na área de vestimenta, mas também na área que envolve diretamente os meus estudos: isso não ocupará a parte central da minha vida. E é nessa tentativa constante de driblar as limitações que eu me coloco, que surgiu toda a dificuldade em pintar o cabelo de rosa. 

O que meus professores vão pensar de mim? Será que eu posso perder oportunidades por conta da cor do cabelo? Será que as pessoas não vão mais me levar a sério? Tudo isso rondava os meus pensamentos (e em certa medida ainda ronda). 

Mas hoje, fui tomada por um pensamento que me fez finalmente comprar a tinta rosa para o meu cabelo: Cara, nem eu me levo tão a sério. E nem quero, pra falar a verdade. Deixa a vida ser desse jeito, com essa leveza. Eu vou fazer 20 esse ano, como vocês sabem. Se eu começar a me limitar dessa forma nessa idade, imagina a infelicidade que vou ter nos próximos anos? 

Eu fico orgulhosa de não caber em um lugar que me colocaria em uma caixinha tão pequena.

A vida adulta (eu estou começando a descobri-la) não é fácil… Por que a gente coloca tanto peso em si para deixá-la ainda mais insustentável? Tá, talvez a forma que eu me vista possa impedir meu caminho até Harvard… Mas meu bem, por que eu ia querer estar em um lugar onde não se pode ser feliz? E eu não tô falando em ser sem noção não… tô falando de felicidade mesmo… criatividade… liberdade… Eu fico orgulhosa de não caber em um lugar que me colocaria em uma caixinha tão pequena. 

Isso me lembra do filme de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, quando o Chapeleiro Maluco se vira para a Alice e diz: “Nunca perca a sua muíteza”. 

Bem, é essa a mensagem final que eu quero deixar para vocês. 

Nunca perca a sua muíteza. 

Aqui é a bia do futuro passando para avisar que meu cabelo nem ficou tão rosa assim. Triste.

O outro dos outros

Clarice Lispector já era adulta, mãe, escritora (conhecida dentro e fora do Brasil), e a admirada por todos á sua volta, quando confessou não saber quem era ela mesma. Isso transparece em muitos dos seus escritos, como uma agonia sem resposta.

“… eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu…”

Clarice Lispector, De um caderno de notas.

Penso então que não devo me culpar se hoje, beirando os vinte, não sei responder à velha pergunta da intrigante lagarta azul “Quem és tu?”.

Muitas vezes durante a vida, me senti como uma estranha em mim mesma. Sonhava em me encaixar oficialmente em algum estereótipo. Quando adolescente, quis ser nerd. Fiz de tudo para conseguir usar aparelhos e óculos quadrados, e tentei mergulhar fundo na cultura pop. Falhei, não passei de uma nerd medíocre: nunca assisti aos filmes de Star Wars e nem consegui acompanhar qualquer HQ de super heróis. Quis então ser uma rainha da moda, com um blog onde ensinava a fazer looks estilosos… não durou nem dois meses: não tinha saco para montar looks.

A questão que me agoniava na época era ter alguns pontos semelhantes àqueles grupos aqui e ali, mas ainda assim não me encaixar verdadeiramente em nenhum. Apesar dos meus esforços, não me passava de alguém medíocre.

Em contra partida, enxergava padrões em meus colegas. Encaixava-os mentalmente em rótulos tão naturalmente… hoje, me pergunto se eles mesmos concordariam com os rótulos que eu os colocava em segredo. Acho que no fim das contas, é mais fácil encontrar padrões com o que se vê nos outros, do que com o que há dentro de si, nesse mar complexo e assustador que é a própria alma. Vai ver é por isso que eu nunca consegui encaixar a mim mesma em algo, porque via de camarote minhas próprias contradições e mudanças.

Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.

autora

Fato é, que sentindo-me medíocre, trabalhei para me tornar 100%. Se vou ser leitora, vou gabaritar todas as manias estereotipadas de um amante de livros. Se vou ser inteligente, não vou aceitar nada menos do que ser a melhor da turma. Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.

Desde muito nova, por exemplo, fazia redações modelo ENEM sem que meus professores tivessem me ensinado… coloquei como meta conseguir a nota máxima na redação logo na primeira tentativa no vestibular, e por um tempo, fiz de tudo para conseguir – para quem quer um spoiler: falhei.

Depois de alguns anos de terapia, pouco a pouco, consegui chegar mais perto de quem eu era, sempre traçando um “antes e depois” a cada passo dado em direção à minha própria descoberta de mim.

Acredito que seja aí que começa a minha história com esse blog.

Ao me conhecer, queria me apresentar novamente para vocês. Através das conversas por aqui, quero compartilhar um pouco dos meus sentimentos, reflexões, contos e até futilidades.

Então…

Senta, fica à vontade. Pegue uma xícara de café, vista suas meias favoritas e venha ler os devaneios, e qualquer coisa não produtiva que me faça feliz.

Bem-vindo, e muito prazer.

Bia Rocha.