Tudo foi feito para ser quebrado.

“Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou.”

Iris, The Goo Goo Dolls

Estou tendo uma semana bem difícil. A volta às aulas da faculdade foi um grande choque de realidade – e também foi a primeira vez em toda a minha vida que voltei das férias sem querer voltar. Pois é. Uma grande mudança…

Tudo que eu queria era continuar no mundinho que estava construindo nas férias. Pode imaginar como foi assustador sair do meu ambiente de escrita criativa com sapos falantes, fadas e magia para um ambiente onde o tópico principal parece ser “câncer”? 

Mas a pior parte é retornar para a faculdade – ambiente que foi, por todo esse tempo, minha principal morada, o lugar para o qual eu guardava toda minha energia e onde eu encontrava os meus objetivos de vida – e perceber que em poucos meses o significado daquilo tudo mudou completamente. 

Acho que é tipo conhecer alguém que você endeusa muito. Quando você olha para aquela pessoa de verdade, sem os filtros que você havia colocado, você pensa: “ah, é isso?”

A faculdade não mudou, foi algo em mim que se alterou. Esse tempo que fiquei fora, bem como o tempo que estive frustrada com os estudos, me permitiram uma conexão com outras coisas que tem valor para mim. Eu não sou mais só alguém que estuda biomedicina, agora eu também me sinto alguém que pode escrever. Criar universos. Me sinto alguém que pode ao mesmo tempo publicar  tanto prosa, quanto artigos. E qual é o problema? É que isso também parece impossível

Estou me sentindo fragmentada. É como se tivesse diante de mim algumas versões minhas, e eu precisasse escolher apenas uma delas. Esse ano, escolheria a escrita. Ano passado, escolhi a ciência. Mas, internamente, eu tento ser forte… e não escolher. 

Quero abraçar os dois caminhos, e me sinto tão quebrada por isso! Eu olho para as outras pessoas ao meu redor. Na faculdade, parece que todos estão 100% dentro da biomedicina, nada passa na mente deles senão tumores e bactérias. No instagram, todos os perfis literários que eu sigo estão lendo sete livros por semana e evoluindo na própria escrita. E eu não tô fazendo nada… escolher os dois também parece não escolher. 

Minha psicóloga disse que eu estou tentando me dar a liberdade para ser mais leve nas minhas escolhas e permitir os interesses coexistirem, e quando eu vejo pessoas que estão ali tão decididas dentro de seus próprios e únicos interesses, essa minha liberdade é posta em prova. Eu acho que faz sentido. Mas essa pressão está me destruindo. 

Ouvi mais cedo aquela música “Iris”. Eu adoro essa música… Hoje esse trecho “Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou” mexeu comigo. 

No fim das contas, eu não quero ser quebrada. E eu só estaria quebrada de verdade caso negasse a mim algum dos meus lados (seja a criatividade, seja a ciência). Mas tudo isso está me fazendo achar que não conheço mais a mim mesma de verdade. 

Acho que com todas essas liberdades que eu venho me dando, eu acabei permitindo coisas novas surgirem dentro de mim, sabe? E agora eu tô tentando conhecer essas coisas. 

O grande desafio daqui pra frente vai ser conhecer essa nova Bia, que não é fragmentada, é inteira, mas ainda assim é cheia de contrastes. 

Bom, até que tá ficando bonito. 

1 Comentário

  1. Você não está fragmentada, tá mais inteira do que nunca 💓

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