Ok, eu não faço ideia de como vai ser esse texto. Gosto de pensar nesse espaço como sendo um lugar livre de julgamentos… então se você pretende me julgar, guarde para você.
Vamos falar de assuntos sérios, seríssimos. Vou tocar em assuntos sem quase nenhum conhecimento sobre eles, então por favor, não confie nas minhas palavras.
Boa parte da minha pré adolescência e adolescência eu fui uma otária. Eu nem gosto de falar sobre isso – se pudesse taparia essa época como se fosse um lixo radioativo. Mas, é claro, não temos como mudar o passado… por isso, preciso encarar minhas fotos vestindo a camisa do Brasil e fazendo arminha (SIM GENTE, SIM!) e seguir a minha vida.
Pelo bem da minha saúde mental, eu costumo me defender para mim mesma argumentando: ora, eu nem tinha o cérebro totalmente desenvolvido naquela época! E adolescentes são influenciados pela família, pelas redes socias… pipipi popopo… eu sou a coitada da situação!!! Tenham pena de mim e do meu passado!!!
Sempre me pego refletindo a respeito do fato de que tudo bem tirar foto com a arminha no passado, MAS MEU DEUS DO CÉU POR QUE QUE AS PESSOAS AINDA ESTÃO NESSA VIBE??????? Sério, eu acho tão tão tão tão vergonhoso. E me recuso a pensar que essas pessoas, SABENDO DE TUDO QUE ACONTECEU ATÉ AQUI, são tão coitadinhos quanto a Bia adolescente foi. NÃO, ELES NÃO SÃO OS COITADINHOS!!!
Por coincidência, enquanto eu escrevia esse texto, presenciei uma horrorosa conversa de duas crianças que citavam frases de posicionamentos políticos completamente duvidoso. Eles também são vitimas da situação. Pobres crianças!
Outro dia estava jogando conversa fora com uma colega. Ela me disse que foi parada por uma pessoa em condição de rua que pediu que ela comprasse uma caixa de bala para ele vender no sinal. Ela disse que não compraria e mandou ele ir trabalhar. MONA, ELE TAVA LITERALMENTE TE PEDINDO PRA AJUDAR ELE A TRABALHAR!!!!! Sério, bora parar de ser otário? Isso me lembrou de uma notícia de tempos atrás em que o governo de sp colocou pedras sob viadutos e outros lugares onde ficavam pessoas em situação de rua para que eles não tivessem lugar onde ficar. O problema não é a desigualdade e pobreza extrema, o problema é essa pobreza ficar diante dos seus olhos. E assim, escondendo a pobreza da classe média (que se acha rica), ninguém fica incomodado e nada muda.
Outro papo de otário (e esse eu me orgulho de nunca ter caído): “não acredito no aquecimento global!”. Sério, quando as pessoas vão entender que a ebulição global não é algo tipo o papai noel em que você pode ou não acreditar. Para um pouco para pensar na temperatura extrema que tem feito! Ou nas doenças estranhas se espalhando! Ou nos insetos sumindo!
Quando eu era criança, eu vivia rodeada por joaninhas. Capturava elas em um pote de maionese e colocava plantinhas para elas comerem. Consegui juntar tantas que um dia decidi fazer uma competição com elas para ver qual seria a mais rápida. Montei uma pista com obstáculos e abri o pote. Aconteceu o óbvio: todas elas saíram voando e eu nunca mais as vi. Até hoje não sei qual delas era a mais rápida. E qual foi a última vez que você viu uma joaninha? Bem, talvez elas estejam apenas se escondendo de mim, já que prendi elas no passado…
De qualquer forma, se você “não acredita no aquecimento global”, pode ser que você seja meio burro. Sinto muito por estar te contando isso.
Comecei esse texto por que queria entender melhor meu posicionamento sobre as coisas. Acho que tô meio no estilo Manu Gavassi: meu posicionamento político é um laço no cabelo e bom senso crítico. No fim das contas, eu só quero ser uma pessoa boa – acho que essa é minha máxima política.
Acho que todo mundo seria mais feliz com uma pequena fazenda, uma vaquinha mimosa, vegetais sem agrotóxicos e sol na cara bem cedo. E é por isso que jogo Stardew Valley.
