Memento Mori


ana suy escreve que, na verdade, não sabemos que vamos morrer. a gente só sabe disso na teoria, mas a real é que a gente não conhece o peso da certeza da morte… até porque, se tivéssemos a real consciência da delicadeza da vida, ficaríamos paralisados, pois viver é um grande risco. a gente imagina pra si uma vida que não acaba, nos anestesiamos um pouco do peso da morte. em contra partida, é necessário que vez ou outra reflitamos a respeito da morte ou ao menos sobre o efeito do tempo, para que não joguemos a vida em total descaso — que valor tem a vida se não pela sua efemeridade? Escrevemos em nossa pele “memento mori”, elaboramos textos sobre dar valor aos momentos que são todos passageiros, nos esforçamos para lembrar uns aos outros de que vamos morrer. mas também nos resguardamos na nossa corajosa fantasia da não morte. 

gosto disso de inventar pra si algo. acho que nossa capacidade de inventar pra si algo diferente, mais bonito ou melhor muda realmente o destino de nossas vidas. é preciso poder imaginar algo para si, algo só seu, para depois tornar realidade. se você não imagina, nunca vai acontecer. e não estou falando de “manifestar para o universo”… estou querendo dizer que o primeiro passo para realizar algo talvez seja imaginar algo. 

claro, não podemos viver sempre no mundo da lua e uma dose de realidade faz bem (afinal, saber que vamos morrer nos ajuda a, por exemplo, cuidar da nossa saúde). mas se fôssemos realmente ter clareza da realidade, ficaríamos paralisadas… não apenas com o medo da morte, mas com o medo do desastre climático, a consciência das classes sociais difíceis de driblar, do machismo e até com nosso própria passado — isso para citar apenas algumas das coisas trágicas da nossa realidade. 

renato russo canta que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira, mas talvez seja necessária algumas mentirinhas que inventamos para nós mesmos. 

no fim, talvez a vida seja sobre narrar para si uma mentira bonita que vira verdade. 

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