Todas as coisas bonitas já foram ditas.
Alguém já chorou pelo que choro agora.
Tudo que é belo já foi admirado.
Tudo já foi estudado.
Nada novo.
Tudo sempre igual.
Mais do mesmo.
Senta, fica à vontade. Pegue uma xícara de café, vista suas meias favoritas e venha ler os devaneios, contos e qualquer coisa não produtiva que me faça feliz. Bem-vindo.
Todas as coisas bonitas já foram ditas.
Alguém já chorou pelo que choro agora.
Tudo que é belo já foi admirado.
Tudo já foi estudado.
Nada novo.
Tudo sempre igual.
Mais do mesmo.
Oi, quanto tempo! Gostaria de poder escrever aqui com mais constância. Esse foi um bom ano, cheio de conquistas e encerramento de ciclo. Queria registrar aqui algumas das coisas incríveis que aconteceram!
Leituras de 2025
Não consegui ler muito nesse ano, mas ainda assim consegui o total de 16 leituras, o que já é bastante! Minha leitura favorita também foi minha primeira leitura do ano: O Apanhador no Campo de Centeio. Um clássico que não consegui soltar! Devorei em três dias.

Em segundo lugar, está o livro “Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong“. Ao contrário dos outros dessa lista, me demorei bastante nesse livro. O próprio ritmo da escrita parece feito para ser lido aos poucos e com calma, mas me fez refletir muito sobre vida adulta, trabalho e amor pela leitura. Fiz várias marcações e frequentemente retorno a elas.

O terceiro lugar vai para “Luzes do Sul“, uma leitura deliciosa que devorei rapidamente também. Que livro delicado e mágico! Li também no começo do ano, em janeiro durante minhas férias.

Menção honrosa para “SuperGirl: mulher do amanhã“, uma graphic novel que é, sem nenhum exagero, uma obra de arte. Cada virada de página é um deleite e as cores e gravuras deixaram a história mais cativante.
Viagens e Momentos Especiais
Janeiro 2025: Fim de semana no Hotel Fazenda
Passamos uns dias em um hotel fazenda com amigos e foi divertido! Usei esse tempo basicamente como um retiro para a leitura – li 4 livros nessa viagem.

Minha primeira vez na Bahia!
No meio do ano, fui apresentar um trabalho em um seminário contra a desinformação promovido pela FioCruz Bahia. Nosso trabalho era sobre memes e foi muito legal apresentar! Não passeei tanto, mas consegui aproveitar um dia com minha mamis!

O mar estava uma delícia, mas o que gostei meeesmo foi a comida! Moqueca de camarão, farofa de dendê, arroz com coco… que comida boa! Chego salivar quando lembro heheh



Minha primeira viagem sozinha!
Um mês depois, fui apresentar um trabalho em Mariana (MG) e fui sozinha dessa vez! Foi uma aventura: precisei pegar três ônibus. Tinha uma entrevista importante e fiz ela de maneira online pelo WI-FI da rodoviária. Chegando em Mariana, não existia uber por lá e fiquei completamente atordoada – como chegaria até o hotel. Por fim, deu tudo certo, Dessa vez, o trabalho que apresentei foi sobre influenciadores digitais.

Comi bem (amo a comida mineira!) e visitei o máximo de lugares que consegui no curto tempo que tive. Foi incrível! A cidade é pequena, altamente universitária e bem segura… Me senti em uma Stars Hollow de MG!

Tem vídeo meu no youtube mostrando um pouco de como foi!
Viagens de Casal
Em 2026, fiz duas viagens marcante com meu amor. A primeira para Petrópolis, cidade vizinha à nossa. Fomos comemorar nosso aniversário de três anos de namoro. Ficamos em uma pousada fofa e antiga e fizemos um roteiro bem… literário. Visitamos três sebos e fomos à uma livraria bem lindinha. Foi muito bom!


Ainda quero fazer um vlog sobre esse fim de semana! Foi muito bom e gravei bastante coisa.
A segunda viagem com o meu namorado foi para o show da ANAVITÓRIA no rio de janeiro. Sinto como se fosse ontem! As músicas marcaram bem meu coração depois de ter visto as duas performarem pessoalmente. Minha favorita da set list do show foi “Espetáculo Estranho”.

Viagens Geek: cidade de pedra
Fui à São Paulo muitas vezes esse ano e todas elas foram muito nerdolas. Em fevereiro, fui com minha família explorar novos produtos para nossa loja nerd (@hygge.nerd). Vimos muitas coisa lindinhas, trabalhamos bastante!

Aproveitamos para assistir os Barbixas em seu hábitat natural! Nossa família não perde um vídeo deles, e é sempre incrível poder ver ao vivo.

Também fizemos uma visita ao Butantan. Foi minha segunda vez lá, é sempre bom poder ver museus de ciência!


Em junho, fui com meu namorado e alguns amigos para o Diversão Offline 2025 (DOFF) , evento focado em jogos de tabuleiro e RPG. Meu namorado foi como mestre, divulgando o RPG próprio com o NerdBruto, o Pantheon RPG. Eu era a única a não estar trabalhando, e confesso que me senti meio sozinha e deslocada. Mas ainda assim, foi bem interessante!
Ahh, lembrei que tem texto aqui falando sobre minha primeira DOFF!


Em dezembro tivemos nossa última viagem geek do ano: a CCXP! Foi minha segunda vez e já fui focada em pegar muitos adesivos no vale dos artistas. Me diverti, mas vi muita gente dizendo que a energia da CCXP esse ano não era a mesma e eu concordo…



Conquistas de 2025
2025 foi um ano de realizações. Me sinto muito satisfeita de chegar ao fim do ano sabendo que estou justamente onde gostaria de estar.
Apresentei meu trabalho de conclusão de curso e consegui nota máxima pela pesquisa que me orgulhei muito de ter feito. Me formei em biomedicina e finalizei minha iniciação científica em divulgação científica. No meio de tudo isso fiz o processo seletivo para o mestrado que sempre sonhei, e consegui!
2025 foi um ano de realização de sonhos! Que 2026 também seja um ano repleto de conquistas e alegria para todas nós.
Olha, eu sei. Eu SEMPRE faço post sobre glow up. Acontece que eu gosto de ser uma pessoa positiva, alto-astral… isso faz parte da minha personalidade. Então, quando tudo vai mal e a destruição do planeta pela ebulição global começa a parecer uma esperança, eu paro tudo e digo a mim mesma: está na hora de um glow up.
(e escrever sobre isso faz com que eu me sinta a protagonista de uma comédia romântica dos anos 2000, e quem não gosta disso?)
Bom, não vamos ser tão dramáticos. As minhas férias foram boas – descansei, li, joguei, pintei… no geral, poderia dizer que fui muito muito feliz. Mas basta aparecerem os primeiros indícios das voltas as aulas que eu começo a apodrecer por dentro. Não quero voltar, não quero, não quero! Já chorei, já deitei em posição fetal e já procrastinei a minha rematrícula o máximo que foi possível. Agora não há solução, o jeito vai ser encarar.
Eu amo estudar. Sério, amo mesmo! Mas a faculdade se tornou insuportável, e se eu não encontrar meios de atenuar essa situação, logo logo o diploma não estará mais valendo tanto a pena. Por isso, meu objetivo aqui não é um glow up comum, mas sim um glow up nos estudos.
Acho que a reorganização mental que venho fazendo não tem apenas a ver com os estudos, mas também com toda a minha organização de carreira (me senti até mais chique falando isso hehehe). Talvez a verdade seja que eu esteja amadurecendo em relação a isso. Comecei a entender melhor o que eu quero fazer, quais são meus pontos fortes que quero reforçar ainda mais e quais são meus pontos fracos. Hoje estudo biomedicina- mas tenho total clareza de que não quero trabalhar em um laboratório convencional.
Longe de querer expor meus planos a longo prazo aqui… mas queria compartilhar esse sentimento, essa confusãozinha, essa agonia de estar com tudo de pernas para o ar. Será que você já passou por sentimentos parecidos?
Acredito fortemente que seja um evento canônico (talvez ainda é crise dos 20?). Estou escrevendo para entender como eu posso passar por isso – mas talvez te ajude também.
Assinei o Clube Rotina Perfeita. Você sabe o que é isso? Bom, eu mesma não sabia. Se trata de um grupo de mulheres que estão sempre buscando uma forma de se organizarem para ter uma vida de paz e good vibes. E isso é uma forma simplória de falar, a verdade é que tem muito mais além disso. Elas formam uma rede de apoio e network, tem cursos para as assinantes, encontros ao vivo com especialistas e inúmeras outras coisas. É sensacional, mas eu ainda não consegui aproveitar com profundidade. Um dos meus planos para o glow up é APROVEITAR esse bagulho.
Lembra que falei dos cursos disponíveis no clube? Esse é um deles. Pretendo assistir as aulas e repensar a forma com que estudo – sempre acho que posso melhorar. E para falar a verdade, desde que a pandemia obrigou a gente a estudar online, eu JURO que nunca mais fui a mesma nos estudos.
E para falar a verdade, minha ideia não é ser a mesma que eu era no ensino fundamental – hoje eu tenho muitos outros compromissos e seria insustentável me obrigar a revisar matéria 4 horas por dia. Espero que esse curso acabe me ajudando a aproveitar melhor o pouco tempo que tenho disponível para estudar.
Sabe, de onde a gente tirou que nós temos que estudar a matéria que os professores passam para a gente? Eu só preciso passar na faculdade, não tirar boas notas – é essa a mentalidade rebelde que quero adotar. E, enquanto eu estudo o básico (apenas o bastante para ficar na média), eu posso investir meu tempo em outras coisas.
Tenho muita vontade de aprender design e edição de vídeo… marketing digital, gestão de equipes…. sabe o que isso tem a ver com biomedicina? ABSOLUTAMENTE NADA! E é isso que vou estudar. Desculpe, caro coordenador… mas biomedicina nem é tão legal assim.
Ok, sei que parece controverso, mas deixa eu te explicar. O TCC é minha última esperança de fazer algo legal na faculdade. Parece uma boa ideia, afinal, eu posso escolher qual será meu tema e qual professor irá me orientar. Nesse mês, pretendo organizar prazos para o desenvolvimento do meu projeto, e assim colocar a mão na massa. Acho que isso pode me fazer ficar um pouco mais engajada na faculdade.
Como meu plano é seguir ignorando a faculdade o tanto que possível, quero em paralelo a isso aprender coisas novas que fazem mais sentido comigo hoje. Talvez entrar em um curso de escrita criativa, aprender edição de vídeo, treinar meu inglês, aprender marketing digital e o que mais for possível. Eu amo aprender! Eu amo estudar! Esses amores se perderam, mas quero recuperá-los.
Sim, eu sei. No ensino médio eu estava odiando a escola e depositava minhas esperanças na faculdade – agora eu odeio a faculdade e deposito minhas esperanças no mestrado. É, ridículo. Mas não fui eu quem fez esse sistema, então estou apenas dançando conforme a música! Posso estar enganando a mim mesma, e que seja! Quero continuar me imaginando no mestrado de divulgação científica fundando minha própria revista e meu podcast. Por favor, se preparem, pois chegarei arrasando.
Bom, acho que por hoje é só, amigas! Espero ter ajudado vocês de alguma forma.
Beijos sinceros,
Bia.
Ok, eu não faço ideia de como vai ser esse texto. Gosto de pensar nesse espaço como sendo um lugar livre de julgamentos… então se você pretende me julgar, guarde para você.
Vamos falar de assuntos sérios, seríssimos. Vou tocar em assuntos sem quase nenhum conhecimento sobre eles, então por favor, não confie nas minhas palavras.
Boa parte da minha pré adolescência e adolescência eu fui uma otária. Eu nem gosto de falar sobre isso – se pudesse taparia essa época como se fosse um lixo radioativo. Mas, é claro, não temos como mudar o passado… por isso, preciso encarar minhas fotos vestindo a camisa do Brasil e fazendo arminha (SIM GENTE, SIM!) e seguir a minha vida.
Pelo bem da minha saúde mental, eu costumo me defender para mim mesma argumentando: ora, eu nem tinha o cérebro totalmente desenvolvido naquela época! E adolescentes são influenciados pela família, pelas redes socias… pipipi popopo… eu sou a coitada da situação!!! Tenham pena de mim e do meu passado!!!
Sempre me pego refletindo a respeito do fato de que tudo bem tirar foto com a arminha no passado, MAS MEU DEUS DO CÉU POR QUE QUE AS PESSOAS AINDA ESTÃO NESSA VIBE??????? Sério, eu acho tão tão tão tão vergonhoso. E me recuso a pensar que essas pessoas, SABENDO DE TUDO QUE ACONTECEU ATÉ AQUI, são tão coitadinhos quanto a Bia adolescente foi. NÃO, ELES NÃO SÃO OS COITADINHOS!!!
Por coincidência, enquanto eu escrevia esse texto, presenciei uma horrorosa conversa de duas crianças que citavam frases de posicionamentos políticos completamente duvidoso. Eles também são vitimas da situação. Pobres crianças!
Outro dia estava jogando conversa fora com uma colega. Ela me disse que foi parada por uma pessoa em condição de rua que pediu que ela comprasse uma caixa de bala para ele vender no sinal. Ela disse que não compraria e mandou ele ir trabalhar. MONA, ELE TAVA LITERALMENTE TE PEDINDO PRA AJUDAR ELE A TRABALHAR!!!!! Sério, bora parar de ser otário? Isso me lembrou de uma notícia de tempos atrás em que o governo de sp colocou pedras sob viadutos e outros lugares onde ficavam pessoas em situação de rua para que eles não tivessem lugar onde ficar. O problema não é a desigualdade e pobreza extrema, o problema é essa pobreza ficar diante dos seus olhos. E assim, escondendo a pobreza da classe média (que se acha rica), ninguém fica incomodado e nada muda.
Outro papo de otário (e esse eu me orgulho de nunca ter caído): “não acredito no aquecimento global!”. Sério, quando as pessoas vão entender que a ebulição global não é algo tipo o papai noel em que você pode ou não acreditar. Para um pouco para pensar na temperatura extrema que tem feito! Ou nas doenças estranhas se espalhando! Ou nos insetos sumindo!
Quando eu era criança, eu vivia rodeada por joaninhas. Capturava elas em um pote de maionese e colocava plantinhas para elas comerem. Consegui juntar tantas que um dia decidi fazer uma competição com elas para ver qual seria a mais rápida. Montei uma pista com obstáculos e abri o pote. Aconteceu o óbvio: todas elas saíram voando e eu nunca mais as vi. Até hoje não sei qual delas era a mais rápida. E qual foi a última vez que você viu uma joaninha? Bem, talvez elas estejam apenas se escondendo de mim, já que prendi elas no passado…
De qualquer forma, se você “não acredita no aquecimento global”, pode ser que você seja meio burro. Sinto muito por estar te contando isso.
Comecei esse texto por que queria entender melhor meu posicionamento sobre as coisas. Acho que tô meio no estilo Manu Gavassi: meu posicionamento político é um laço no cabelo e bom senso crítico. No fim das contas, eu só quero ser uma pessoa boa – acho que essa é minha máxima política.
Acho que todo mundo seria mais feliz com uma pequena fazenda, uma vaquinha mimosa, vegetais sem agrotóxicos e sol na cara bem cedo. E é por isso que jogo Stardew Valley.
Meu Deus, quanto tempo eu não escrevo para vocês! Estou morrendo de saudades de publicar aqui – e é uma saudade boa, não uma cobrança… e isso é extremamente positivo.
Nesse meio tempo em que não estávamos nos vendo, completei vinte anos. É amigos, sou definitivamente uma jovem adulta. Palmas para mim! Queria escrever um texto bonito e reflexivo sobre isso, mas na verdade eu tô com preguiça… hoje quero escrever algo divertido e para meninas (minha própria coluna da Capricho! hihihi).
Como o título sugere, vou compartilhar com vocês, amigas, o meu glow up (imagine estrelas rosas nessa expressão toda vez que ela aparecer).
O mês de abril foi uma loucura: tive provas, aniversário e um profundo desanimo/revolta com meu curso. Como trancar a faculdade não pode ser a solução, eu vou focar em outras coisas. Me senti “apagando” e me perdendo por conta do curso, por isso decidi que em maio me esforçaria para mudar as coisas. Aqui estão algumas mudanças para o meu glow up (mãos de jazz e estrelinhas).
Acho que já chega da lista de coisas estéticas. Bora para a segunda (mas não menos importante) parte do glow up.
Para brilhar de verdade, eu preciso começar a entender o que tem de errado na minha vida hoje que me faz ficar tão desanimada e frustrada. A resposta não pode ser simplesmente “faculdade” porque já entendemos que isso é algo que não posso mudar. Então vamos pensar em como tornar essa fase da vida menos chata, afinal a faculdade não ocupa mais a parte central da minha rotina.
Acho que basta de glow up por enquanto. Até porque nem sei como arranjarei tempo para tantas coisas! Acho que nada precisa ser perfeito… mas vou ficar satisfeita se pelo menos começar essas mudanças e mantê-las no básico. O foco vai ser cuidar melhor de mim e parar de chorar com a faculdade (difícil, viu?).
Espero que o mês de maio seja encantador para vocês. E que esse texto tenha te inspirado a cuidar melhor de si nessa fase da vida.
Hoje é dia das mulheres, e eu não me sinto forte. Queria apenas ir pra casa, chorar, ficar na cama. É dia das mulheres e eu me sinto sozinha mesmo rodeada de pessoas. Não me sinto cheia de beleza, ou inspiradora, ou criativa… tudo isso que aparecem nas mensagens para as mulheres parece não caber a mim.
Estou aqui no trabalho, frustrada e chorosa mais uma vez. Me sinto confusa, perdida, cansada, feia e desprezada. E eu não posso nem colocar a culpa da tpm! Acho que só precisava parar de ser eu um pouco.
Feliz dia das mulheres para quem se sente perdida, sobrecarregado de sentimentos, cansada e confusa.

“Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou.”
Iris, The Goo Goo Dolls
Estou tendo uma semana bem difícil. A volta às aulas da faculdade foi um grande choque de realidade – e também foi a primeira vez em toda a minha vida que voltei das férias sem querer voltar. Pois é. Uma grande mudança…
Tudo que eu queria era continuar no mundinho que estava construindo nas férias. Pode imaginar como foi assustador sair do meu ambiente de escrita criativa com sapos falantes, fadas e magia para um ambiente onde o tópico principal parece ser “câncer”?
Mas a pior parte é retornar para a faculdade – ambiente que foi, por todo esse tempo, minha principal morada, o lugar para o qual eu guardava toda minha energia e onde eu encontrava os meus objetivos de vida – e perceber que em poucos meses o significado daquilo tudo mudou completamente.
Acho que é tipo conhecer alguém que você endeusa muito. Quando você olha para aquela pessoa de verdade, sem os filtros que você havia colocado, você pensa: “ah, é isso?”
A faculdade não mudou, foi algo em mim que se alterou. Esse tempo que fiquei fora, bem como o tempo que estive frustrada com os estudos, me permitiram uma conexão com outras coisas que tem valor para mim. Eu não sou mais só alguém que estuda biomedicina, agora eu também me sinto alguém que pode escrever. Criar universos. Me sinto alguém que pode ao mesmo tempo publicar tanto prosa, quanto artigos. E qual é o problema? É que isso também parece impossível.
Estou me sentindo fragmentada. É como se tivesse diante de mim algumas versões minhas, e eu precisasse escolher apenas uma delas. Esse ano, escolheria a escrita. Ano passado, escolhi a ciência. Mas, internamente, eu tento ser forte… e não escolher.
Quero abraçar os dois caminhos, e me sinto tão quebrada por isso! Eu olho para as outras pessoas ao meu redor. Na faculdade, parece que todos estão 100% dentro da biomedicina, nada passa na mente deles senão tumores e bactérias. No instagram, todos os perfis literários que eu sigo estão lendo sete livros por semana e evoluindo na própria escrita. E eu não tô fazendo nada… escolher os dois também parece não escolher.
Minha psicóloga disse que eu estou tentando me dar a liberdade para ser mais leve nas minhas escolhas e permitir os interesses coexistirem, e quando eu vejo pessoas que estão ali tão decididas dentro de seus próprios e únicos interesses, essa minha liberdade é posta em prova. Eu acho que faz sentido. Mas essa pressão está me destruindo.
Ouvi mais cedo aquela música “Iris”. Eu adoro essa música… Hoje esse trecho “Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou” mexeu comigo.
No fim das contas, eu não quero ser quebrada. E eu só estaria quebrada de verdade caso negasse a mim algum dos meus lados (seja a criatividade, seja a ciência). Mas tudo isso está me fazendo achar que não conheço mais a mim mesma de verdade.
Acho que com todas essas liberdades que eu venho me dando, eu acabei permitindo coisas novas surgirem dentro de mim, sabe? E agora eu tô tentando conhecer essas coisas.
O grande desafio daqui pra frente vai ser conhecer essa nova Bia, que não é fragmentada, é inteira, mas ainda assim é cheia de contrastes.
Bom, até que tá ficando bonito.
Eu tenho uma tradição pessoal de fazer uma lista de desafios para as férias. Faço desde criança e me divirto muito dando os “checks” nos desafios. E essas férias foram com toda certeza a mais importante da minha vida – vocês vão entender o motivo.
Peguei aqui para ler com vocês os planos que havia feito para as férias. No meu caderno, intitulei a sessão de “O plano perfeito para as férias”… esse título não passa de uma grande mentira. Apesar desse tempo ter sido de fato PERFEITO, não foi graças ao meu planejamento.

Bem, meu primeiro erro foi pensar que passar as férias estudando e fazendo meu tcc, seria um bom plano. Listei CINCO cursos que queria me obrigar a concluir e separei um longo drive de artigos acadêmicos. HAHAHA. A Bia do passado estava MALUCA. Na época que escrevi isso, também queria fazer um curso presencial de verão… Mas acabei mudando de ideia e resolvi focar na escrita e leitura durante o período – graças a Deus eu fiz isso. Outros dos meus desafios de férias (esses não tão loucos), foram esses aqui:
Como pode ver, esses desafios fizeram muito mais sentido com “férias” do que aqueles cinco cursos diferentes. E foi tão incrível fazer essas coisas! Dei a mim mesma o direito de descansar, e foi bem necessário.

Ah, quando eu digo que a Bia do passado era maluca, digo com propriedade: você acredita que, depois da segunda semana de aula do ano passado, eu simplesmente FIQUEI INTERNADA POR UMA SEMANA, e, eu tenho certeza, A EXAUSTÃO, ESTRESSE E COBRANÇA foram os maiores causadores para me deixar tão doente. Não tem como mentir: eu tenho um histórico de doenças causadas por estresse e ansiedade. Tenho literalmente uma pasta no Google Fotos para registrar minhas doenças caso seja preciso no futuro. Surreal.
Contei isso para ilustrar o quão essencial está sendo essa “virada de chave” na minha vida. Pois bem, agora que você entendeu que eu era MALUCA DAS IDEIA, você pode prosseguir a leitura.

Durante essas férias eu me conectei muito com minha parte criativa de uma maneira que não acontecia há tempos. Não tô dizendo que eu não fazia nada de criativo ano passado. Na verdade, produzir conteúdos de divulgação científica no Mendel Once Said cobrava de mim uma energia criativa imensa! Só que essa energia foi sumindo… não é a toa que eu acabei parando de postar por lá.
Mas a leitura foi algo crucial para eu retornar a mim mesma. Tudo começou com a leitura de “Um estranho sonhador“, que entrou para minha lista de livros favoritos. Esse livro me fez querer novamente escrever e retornar ao meu cenário de fantasia. Não parei por aí: devorei livros durante toda as minhas férias. Isso me salvou. (Claro, mais essencial do que isso foi a TERAPIA.) Porém a leitura me mostrou, na prática, o quanto a LEVEZA fazia falta na minha vida. E então, de maneira natural, fui encarando as coisas de um jeito mais leve.

Foi assim que minhas férias tomaram um caminho muito diferente daquele de “cursos de verão e tcc”. Durante esse tempo, viajei com família e amigos, joguei com meu irmão e namorado, recebi meus amigos em casa, andei de bicicleta, escrevi, comecei um blog cozinhei, fui para eventos, visitei lugares novos, fiz piquenique, pratiquei meu inglês, cuidei das minhas minhocas e das minhas plantas, comecei um caderno de receita e bordei. Sinto que cresci muito mais do que se eu tivesse seguido o primeiro plano.
Eu não tô dizendo que se você passou suas férias estudando você é louco…
Ok, talvez eu esteja dizendo isso, mas não é por mal. É só que eu percebi que viver com a cabeça desse jeito não estava me fazendo bem. E talvez não esteja fazendo bem para você também. Já pensou sobre isso?
A parte ruim disso tudo é que estou voltando para as aulas da faculdade e minha rotina começará a andar normalmente agora… e eu queria TANTO um tempinho a mais para continuar lendo e escrevendo! O desafio da vida real da bia universitária agora será conciliar leitura&escrita com trabalho, faculdade, pesquisa científica, iniciação científica, liga acadêmica e divulgação científica. Se eu não morrer depois da primeira semana, eu volto para contar para vocês como está sendo. Ou não.

Bem, era isso que eu tinha para compartilhar. Continuaria falando por horas sobre como amo ler de novo agora e como estou empolgada para escrever mais e mais. Só que se eu não finalizar esse texto logo, meu pão, que está assando, vai queimar. Então é isso. Beijo.
Ps.: ouça “Vienna” de Billy Joel para terminar esse texto em grande estilo – já que eu mesma fui incapaz de dar um bom final.
Ps2.: se o pão ficar bom, conto pra vocês no próximo post.


Na metade do ano de 2023, senti que eu não era o suficiente. Foi um ano de muitos fracassos, e por um tempo não conseguia ver meus sucessos. Isso me definiu por um tempo, e passei alguns meses de angústias. Não conseguia acompanhar as aulas da faculdade, não tirava notas tão boas, não me destacava (apesar das tentativas) e sentia que meu esforço não era reconhecido. Estive me puxando para um vale de pessimismo e demorei a entender o que estava acontecendo.
Quando, com a ajuda do meu namorado, percebi que não estava bem, finalmente fui capaz de levar o assunto até a terapia. Contei à minha psicóloga o que estava na minha mente: o sentimento de que nunca ia alcançar meus sonhos acadêmicos, que estava fadada a mediocridade, e que, apesar dos meus esforços, nunca seria reconhecida. Minha psicóloga me disse algo que jamais vou esquecer.
Sabendo de tudo que eu já havia conquistado, ela me disse: “Bia, você precisa começar a se apropriar do que é seu.” E ela não quis dizer me apropriar frente aos outros, mas para mim mesma, o outro dos outros.
Essa frase ficou na minha cabeça ainda que eu não estivesse entendendo o que ela quis dizer com aquilo na prática. Depois de alguns meses processando aquele conselho, comecei a compreender.
Foi como se uma luz acendesse em mim, trazendo o sentimento de encontrar o caminho quando se está perdido e exausto.
Me apropriar do que é meu agora, e não o que pode ser no futuro. Parece tão óbvio, tão fácil… como nunca tinha pensado nisso antes?
2024 foi chegando e desenhou-se no meu interior a expectativa de me apoiar ainda mais nessa apropriação. De forma natural e subconsciente, tracei metas simples que têm como ambição me aproximar da minha felicidade, como “cozinhar mais”, “escrever frequentemente” ou até “fazer piqueniques”.
Para os que pensaram que estou abrindo mão da faculdade e de todo sucesso que poderia ter, ou que me tornei simplesmente preguiçosa e hedonista, acalmem-se. Coloquei metas para a vida acadêmica também… mas dessa vez estão onde deveriam estar: em um espaço secundário, abaixo de metas que dizem a respeito de meu bem-estar e felicidade, visando favorecer minha conexão comigo mesma e com as pessoas que eu amo.
Talvez colocar a vida acadêmica nesse espaço me faça chegar ainda mais longe do que chegaria… ou talvez, durante essa caminhada, “longe” ganhe outro significado. E quem sabe onde estarei daqui uns anos… ?
Obs.: Essa lista NÃO está em ordem de prioridade (nem sei se há uma ordem de prioridade).

“Clarice na Cabeceira: jornalismo” é um livro perfeito para quem admira a autora e deseja sentar com ela em um café da tarde. Nas suas crônicas, de início aparece por trás de nomes de outras pessoas… mas quando foi contratada como cronista no jornal, mostrou a verdadeira face de Clarice. Algumas vezes, até dava um gostinho de sua ficção aos leitores de sua colona, e compartilhava aspectos rotineiro da sua vida. Na terceira parte do livro, vemos a Clarice como entrevistadora, onde não deixava silenciar sua forte personalidade mesmo diante dos entrevistados – sempre fazendo colocações com elegância.
“Eu não posso dar lição sobre escrever pois em mim o processo e a elaboração se fazem inconscientemente até que tudo amadureça e venha à tona.”
Clarice Lispector
A organização do livro é muito bem feita pela Aparecida Maria Nunes, que faz notas a respeito da imprensa da época e da própria Clarice. Através das falas da organizadora, conseguimos aprender um pouco mais a respeito do cenário jornalístico do Rio de Janeiro quando Clarice Lispector deixava por lá seus textos.
Nem sei bem como se escreve. Escrever é saber respirar dentro da frase. É por algum silêncio tanto nas linhas como nas entrelinhas para que o leitor possa respirar comigo, sem pressa, adaptando-se não só ao seu ritmo como ao meu, numa espécie de contraponto indispensável.
Clarice Lispector