Metas para 2024

Na metade do ano de 2023, senti que eu não era o suficiente. Foi um ano de muitos fracassos, e por um tempo não conseguia ver meus sucessos. Isso me definiu por um tempo, e passei alguns meses de angústias. Não conseguia acompanhar as aulas da faculdade, não tirava notas tão boas, não me destacava (apesar das tentativas) e sentia que meu esforço não era reconhecido. Estive me puxando para um vale de pessimismo e demorei a entender o que estava acontecendo.

Quando, com a ajuda do meu namorado, percebi que não estava bem, finalmente fui capaz de levar o assunto até a terapia. Contei à minha psicóloga o que estava na minha mente: o sentimento de que nunca ia alcançar meus sonhos acadêmicos, que estava fadada a mediocridade, e que, apesar dos meus esforços, nunca seria reconhecida. Minha psicóloga me disse algo que jamais vou esquecer.

Sabendo de tudo que eu já havia conquistado, ela me disse: “Bia, você precisa começar a se apropriar do que é seu.” E ela não quis dizer me apropriar frente aos outros, mas para mim mesma, o outro dos outros.

Essa frase ficou na minha cabeça ainda que eu não estivesse entendendo o que ela quis dizer com aquilo na prática. Depois de alguns meses processando aquele conselho, comecei a compreender.

Foi como se uma luz acendesse em mim, trazendo o sentimento de encontrar o caminho quando se está perdido e exausto.

Me apropriar do que é meu agora, e não o que pode ser no futuro. Parece tão óbvio, tão fácil… como nunca tinha pensado nisso antes?

2024 foi chegando e desenhou-se no meu interior a expectativa de me apoiar ainda mais nessa apropriação. De forma natural e subconsciente, tracei metas simples que têm como ambição me aproximar da minha felicidade, como “cozinhar mais”, “escrever frequentemente” ou até “fazer piqueniques”.

Para os que pensaram que estou abrindo mão da faculdade e de todo sucesso que poderia ter, ou que me tornei simplesmente preguiçosa e hedonista, acalmem-se. Coloquei metas para a vida acadêmica também… mas dessa vez estão onde deveriam estar: em um espaço secundário, abaixo de metas que dizem a respeito de meu bem-estar e felicidade, visando favorecer minha conexão comigo mesma e com as pessoas que eu amo.

Talvez colocar a vida acadêmica nesse espaço me faça chegar ainda mais longe do que chegaria… ou talvez, durante essa caminhada, “longe” ganhe outro significado. E quem sabe onde estarei daqui uns anos… ?

Metas para 2024

  1. Cozinhar mais para mim mesma e para amigos e família.
  2. Escrever mais: retornar meu coração para a escrita e literatura.
  3. Organizar minhas finanças
  4. *(Meta acadêmica que não quero compartilha hahahah)
  5. Andar de bicicleta e dançar. Ser mais ativa fisicamente.
  6. Fazer mais piqueniques.
  7. Ganhar dinheiros 💸
  8. Criar o hábito de escrever no diário
  9. Manter contato frequente com a língua inglesa.
  10. Aprender python.

Obs.: Essa lista NÃO está em ordem de prioridade (nem sei se há uma ordem de prioridade).

Clarice na Cabeceira – Resenha

“Clarice na Cabeceira: jornalismo” é um livro perfeito para quem admira a autora e deseja sentar com ela em um café da tarde. Nas suas crônicas, de início aparece por trás de nomes de outras pessoas… mas quando foi contratada como cronista no jornal, mostrou a verdadeira face de Clarice. Algumas vezes, até dava um gostinho de sua ficção aos leitores de sua colona, e compartilhava aspectos rotineiro da sua vida. Na terceira parte do livro, vemos a Clarice como entrevistadora, onde não deixava silenciar sua forte personalidade mesmo diante dos entrevistados – sempre fazendo colocações com elegância.

“Eu não posso dar lição sobre escrever pois em mim o processo e a elaboração se fazem inconscientemente até que tudo amadureça e venha à tona.”

Clarice Lispector

A organização do livro é muito bem feita pela Aparecida Maria Nunes, que faz notas a respeito da imprensa da época e da própria Clarice. Através das falas da organizadora, conseguimos aprender um pouco mais a respeito do cenário jornalístico do Rio de Janeiro quando Clarice Lispector deixava por lá seus textos.

Nem sei bem como se escreve. Escrever é saber respirar dentro da frase. É por algum silêncio tanto nas linhas como nas entrelinhas para que o leitor possa respirar comigo, sem pressa, adaptando-se não só ao seu ritmo como ao meu, numa espécie de contraponto indispensável.

Clarice Lispector

O outro dos outros

Clarice Lispector já era adulta, mãe, escritora (conhecida dentro e fora do Brasil), e a admirada por todos á sua volta, quando confessou não saber quem era ela mesma. Isso transparece em muitos dos seus escritos, como uma agonia sem resposta.

“… eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu…”

Clarice Lispector, De um caderno de notas.

Penso então que não devo me culpar se hoje, beirando os vinte, não sei responder à velha pergunta da intrigante lagarta azul “Quem és tu?”.

Muitas vezes durante a vida, me senti como uma estranha em mim mesma. Sonhava em me encaixar oficialmente em algum estereótipo. Quando adolescente, quis ser nerd. Fiz de tudo para conseguir usar aparelhos e óculos quadrados, e tentei mergulhar fundo na cultura pop. Falhei, não passei de uma nerd medíocre: nunca assisti aos filmes de Star Wars e nem consegui acompanhar qualquer HQ de super heróis. Quis então ser uma rainha da moda, com um blog onde ensinava a fazer looks estilosos… não durou nem dois meses: não tinha saco para montar looks.

A questão que me agoniava na época era ter alguns pontos semelhantes àqueles grupos aqui e ali, mas ainda assim não me encaixar verdadeiramente em nenhum. Apesar dos meus esforços, não me passava de alguém medíocre.

Em contra partida, enxergava padrões em meus colegas. Encaixava-os mentalmente em rótulos tão naturalmente… hoje, me pergunto se eles mesmos concordariam com os rótulos que eu os colocava em segredo. Acho que no fim das contas, é mais fácil encontrar padrões com o que se vê nos outros, do que com o que há dentro de si, nesse mar complexo e assustador que é a própria alma. Vai ver é por isso que eu nunca consegui encaixar a mim mesma em algo, porque via de camarote minhas próprias contradições e mudanças.

Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.

autora

Fato é, que sentindo-me medíocre, trabalhei para me tornar 100%. Se vou ser leitora, vou gabaritar todas as manias estereotipadas de um amante de livros. Se vou ser inteligente, não vou aceitar nada menos do que ser a melhor da turma. Sempre cobrei de mim mesma a perfeição, como se isso pudesse garantir meu espaço em algum grupo.

Desde muito nova, por exemplo, fazia redações modelo ENEM sem que meus professores tivessem me ensinado… coloquei como meta conseguir a nota máxima na redação logo na primeira tentativa no vestibular, e por um tempo, fiz de tudo para conseguir – para quem quer um spoiler: falhei.

Depois de alguns anos de terapia, pouco a pouco, consegui chegar mais perto de quem eu era, sempre traçando um “antes e depois” a cada passo dado em direção à minha própria descoberta de mim.

Acredito que seja aí que começa a minha história com esse blog.

Ao me conhecer, queria me apresentar novamente para vocês. Através das conversas por aqui, quero compartilhar um pouco dos meus sentimentos, reflexões, contos e até futilidades.

Então…

Senta, fica à vontade. Pegue uma xícara de café, vista suas meias favoritas e venha ler os devaneios, e qualquer coisa não produtiva que me faça feliz.

Bem-vindo, e muito prazer.

Bia Rocha.