Se você me acompanha no Instagram, deve saber que viajei com meu belissímo namorado João Breder do blog Cripta do Conhecimento para São Paulo, com o objetivo de participarmos da DOFF.
Caso você seja uma pessoa normal e não conheça esse evento, a DOFF é um evento nerd. Muito nerd. Nerd do tipo que pinta miniaturas de RPG, joga RPG e gasta muito, muito dinheiro mesmo, em jogos de tabuleiro. Bem, nada contra esses nerds. Aliáis, eu não falei ainda, mas o João estava indo ao evento como mestre de RPG da Arena do evento. Então, nós somos os nerds. Ok, a gente não gasta tanto dinheiro em jogos de tabuleiro por enquanto porque, pasmem, não temos 800 conto sobrando sempre.
Nesse fim de semana de viagem pude conhecer vários nuances de nerds. Sai da minha bolha e conheci um mundo diferente, o que é bem inspirador. Decidi compartilhar pela primeira vez um registro detalhado do meu passeio… quem sabe eu também não registro aqui os próximos?
Antes da viagem
Na semana que antecedeu a viagem, eu estava extremamente tensa e estressada. Eu tinha muitos motivos para isso:
- Estamos de mudança, o que significa que meu apto está se tornando inabitável pouco a pouco. Isso me deixa beeeem irritada.
- Tinha exatamente R$6,66 como limite no cartão de crédito. Além de estar sem grana, também estava levando o número da besta – o que deve dar azar.
- Meu gatinho Edgar Allan Poe está doente com uma dermatite que deixou ele praticamente sem pelo. Já iniciamos o tratamento com uma dermatologista, mas eu ainda estou nervosa quanto a isso.
- Minha mãe estava com dores intensas e precisava de ajuda. Me senti culpada por sair enquanto ela estava mal.
- Precisei pedir liberação do trabalho. Ah, mas você é filha da chefe! Isso torna tudo mais simples! Mas na realidade, eu fiquei com peso na consciência de estar deixando minha mãe e minha patroa na mão ao mesmo tempo, bem no feriado em que teríamos muito movimento. Eu sou ou não sou um ser humano terrível?
Mesmo com esses motivos, eu também tinha razões o bastante para seguir em frente e acompanhar meu namorado nesse evento tão importante para ele. Além disso, os planos já estavam feitos há tempos, e talvez eu não devesse me sentir tão mal assim por ir me divertir um pouco… né? Comprei snacks, fiz minha mala, e embarcamos no ônibus. Durante os primeiros 50 minutos do trajeto, li “Falando o mais rápido que eu posso” de Lauren Graham. Nas horas seguintes, dormimos.

Dia 1 do evento
A primeira coisa que chamou minha atenção no evento foi a quantidade de pessoas. Eu odeio lugares cheios, e meu deus, que superlotação! Fiquei nervosa algumas vezes e me sentindo presa. Mas, ainda assim, era tudo novidade e queria viver o evento ao máximo.
Sabe aqueles nerds estereotipados que a gente vê em filmes de high school estadunidense? Bem, sinto muito em dizer que eles existem! Me surpreendi com essa descoberta. Quer dizer, eu sempre tive uma quedinha em nerds e felizmente encontrei o meu… e parece que o meu nerd é um dos últimos nerds cheirosos e limpinhos que existem. Corram, meninas! Essa espécie está em extinção!
Não quero aqui ofender ninguém, mas sinceramente, alguns realmente pareciam estar há alguns dias sem tomar banho. E além disso, em uma das palestras um cara do meu lado tirou da mochila uma coca de dois litros e bebeu ela como quem está bebendo água. Juro! Vi isso com meus próprios olhos! Acredite em mim!
No meio de tudo isso, ficou muito escancarado para mim que o mundo do nerd é um mundo masculino. Havia bem menos mulheres ali, e muitas das que estavam pareciam apenas estar acompanhando. A notícia boa é que as meninas que realmente pareciam nerds de verdade, eram limpinhas!
No dia 1, gastamos todo o nosso orçamento com compras. Visitamos o Indie Valley, fomos em vários stands de editoras de RPG e olhamos alguns jogos de tabuleiro. Vou falar das comprinhas em detalhes mais tarde. Assistimos palestras inspiradoras sobre RPG que me deram dicas valiosas sobre contação de história e fluxo de criatividade. Uma pena que já não me lembro mais de nada! Em 2025, espero que levar um caderninho.
Por último, assistimos a premiação chamada Goblin de Ouro. Foi divertido ver nerds felizes e torcendo pelos seus favoritos. Mas o ponto alto foi a vitória de duas podcasters… ao receberem o prêmio, uma delas começou a compartilhar o peso em seu coração a respeito da tragédia do Rio Grande do Sul. Seu discurso foi um convite a todos que se envolvessem politicamente em pautas climáticas. Me arrepiei e quase chorei junto delas. Sinceramente, esse episódio me inspirou demais e vai marcar meus próximos passos.
Ao término do evento, foi a hora de turistar. Eu havia pesquisado sobre uma hamburgueria de temática retrô, então fomos conhecer. O ambiente é uma graça, o preço era bom. Meu hamburguer estava uma delicia e nossas bebidas bem refrescante. Voltaria lá mais vezes!

Dia 2
No segundo e último dia, já estava mais acostumada com o tumulto. Chegamos mais cedo, pois era o dia do mestre flame reaper brilhar. Montamos a mesa, eu li sobre meu personagem (a nerdola cheirosa aqui joga também!) e tirei umas fotos. Isso tudo antes do evento abrir para o público geral! Pois é, somos importantes… entramos na entrada da imprensa! heheh
O João provavelmente vai contar mais sobre isso para vocês lá no blog dele, mas o One Shot que ele escreveu foi inspirado em um pesadelo que eu tive (aparentemente vou precisar começar a patentear meus pesadelos! hahahah). Não vou contar qual é da história – os curiosos terão que ler no Cripta e descobrir por si mesmo. Minha personagem era uma clériga anã, devota de um deus dragão. Ela também fazia pãezinhos para órfãos. O nome dela era Dorotha Pão-Fresquinho.
Uma menina estava tendo seu primeiro contato com RPG na nossa mesa, e foi divertido ver ela fazendo mil perguntas. O problema foi que ela parecia muito interessada no meu nerd cheiroso. Ei, esse tem dona! Vá procurar o seu, e boa sorte!
Nesse dia não tínhamos mais dinheiro para comprinhas, então ficamos só perambulando, jogando alguns jogos e assistindo palestras (confissão: dormi em uma delas. Desculpe!). Foi nesse dia que consegui um autógrafo do Leonel Caldela, que me deu bônus para matar monstros no Tormenta 20. Eba!
Tivemos mais sorte do que no dia anterior com o almoço. Fomos até uma padaria onde comemos batata frita e tomamos coca-cola (já estava virando um deles!).
De noite, após o término do evento, se aproximava o momento de voltar para casa. Eu estava ansiosa para esse momento, só queria dormir! Nada melhor que pegar no sono no ônibus de viagem, amigos.
Roupinhas
Outra coisa que aprendi no fim de semana em São Paulo foi que os paulistas tem bom gosto. Pela manhã, uma moça no hotel elogiou minha roupa. Obrigada, meu bem! Eu sei que estou linda! Mais tarde no mesmo dia, uma menina que conheci na fila do banheiro feminino elogiou meu cabelo. Ah, obrigada! Fico feliz que tenha reparado. Esses inúmeros (dois) elogios, me impulsionou para escrever esse trecho sobre minhas roupas.
No dia 1, apostei no look nerdola. Vesti minha jardineira jeans larga, que me faz ficar mais baixinha e gordinha do que já sou, e ainda assim eu fico linda nela. Enchi ela de bottons (alguns eu comprei no próprio evento e abotoei na hora!). Estava com uma blusinha de gola alta amarela e meus famosos brincos do Efalante. Ah, acabei de lembrar que nesse dia elogiaram minha tatuagem de gatinho! Sim, sim, eu sei. Essa tatuagem me deixou muito mais gata do que eu já era antes, obrigada por reparar. Me maquiei com um degradê de amarelo e rosa e fiz um delineado de gatinho.

No dia dois, minha preocupação era ficar confortável, já que ficaria com aquela roupa durante toda a madrugada. Mas ainda assim, vesti uma blusa linda de xadrez verde com uma calça jeans confortável. Na orelha meus mais novos brincos de asa de fada e um delineado simples preto no olho. Meu cabelo estava especialmente radiante.

Comprinhas
Aqui vai uma lista do que eu comprei/ganhei do João no evento:
- Um poster de 90cm que mostra flores brasileiras… vai ser uma ótima decoração para o meu novo quarto!
- Um livro sobre Plantas Antibióticas. O livro é belissimo e quero muito ler. Me apaixonei pelo fato da autora ser uma jornalista herbalista. Pena que a capa foi feita por IA!
- Adesivos brilhantes. Fiz uma promessa para mim mesma há um tempo atras de nunca mais economizar nos adesivos. Passei toda minha vida escolar sem usar meus adesivos que vinham nos cadernos, e posso te garantir que seria mais feliz se tivesse usado. Por isso, hoje eu compro (e uso!) adesivos.
- Brincos divertidos. Bem, agora temos mais opções de brincos que traduzem muiteza! Pois é, entrou na coleção um brinco de asas de fada, um brinco de poção mágica e um do Jack de O Estranho Mundo de Jack.
- Coldre de livro. Você sabia que algo assim existia? Eu não, e amei! É um negócio que encaixa no seu cinto, aí você pode carregar livros pendurados na sua calça! Ok, falando assim é meio estranho, mas eu juro que é super legal e muito estiloso.
- Jogos educativos. Cara, isso foi sensacional. João me deu de presente e eu estou simplesmente apaixonada. Vou deixar para falar deles mais tarde, mas eu amei!
- Bottons de RPG. De druida e clérigo, minhas classes favoritas.
- Botton e print de vacina. O Zé-Gotinha dando um mata-leão num negacionista? Isso vai para a minha parede com certeza!
Inspiração
Ok, eu não esperava por isso quando sai da minha cidade para ir a um evento nerd, mas tenho que admitir: foi muito inspirador! Primeiro porque, o simples fato de sair da rotina, furar a bolha, ir a um lugar diferente… isso já é super inspirador! Mas lá na DOFF, encontrei algo que fez brilhar novamente a estrela da Divulgação Científica que existe no meu coração.
Caso você ainda não saiba, eu fundei uma liga acadêmica na faculdade. É de Divulgação Cientifica, coisa que sou apaixonada. O problema é que a faculdade (e tudo relacionado) vem perdendo a magia pra mim. Estou me esforçando para voltar a me empolgar por assuntos que antes eu naturalmente vibrava. Esse ano estamos fazendo um estudo sobre gamificação e divulgação científica, então tenho estado atenta a esses assuntos. Por isso, fiquei muito entusiasmada quando encontrei, não um, mas três criadores independentes de jogos que fazem divulgação científica!
Ver pessoas diferentes se arriscando e fazendo coisas inovadoras, trilhando caminhos que podem parecer confusos, ajudando pessoas a educarem outras pessoas… isso é tão lindo!
Em um dos jogos, as meninas que criaram são designs que ficaram sensibilizadas durante a pandemia e criaram um projeto para explicar para as pessoas sobre doenças e sistema imunológico. Os jogadores são as doenças e precisam matar o humano. Genial!
Em outro jogo, o objetivo é criar cidades sustentáveis. É preciso equilibrar a economia e reduzir o carbono… ao fim da rodada, o jogador precisa enfrentar um desastre ambiental. As cidades melhor planejadas são as que melhor atenuam os efeitos. Acho que esse foi o que eu mais gostei! Vou precisar jogar com o meu pai e tentar mais uma vez convencer ele que o aquecimento global existe.
Também fui inspirada em outros campos além do científico. RPG é em si é um tema muito criativo e divertido, e foi bem legal ouvir as palestras. Mas nossa conversa fica por aqui.
Sou muito grata por esse fim de semana que me surpreendeu e me tocou de várias maneiras.
Até a nossa próxima conversa.



