Diário de Bia Jones

Olha, eu sei. Eu SEMPRE faço post sobre glow up. Acontece que eu gosto de ser uma pessoa positiva, alto-astral… isso faz parte da minha personalidade. Então, quando tudo vai mal e a destruição do planeta pela ebulição global começa a parecer uma esperança, eu paro tudo e digo a mim mesma: está na hora de um glow up.

(e escrever sobre isso faz com que eu me sinta a protagonista de uma comédia romântica dos anos 2000, e quem não gosta disso?)

Está tudo indo mal

Bom, não vamos ser tão dramáticos. As minhas férias foram boas – descansei, li, joguei, pintei… no geral, poderia dizer que fui muito muito feliz. Mas basta aparecerem os primeiros indícios das voltas as aulas que eu começo a apodrecer por dentro. Não quero voltar, não quero, não quero! Já chorei, já deitei em posição fetal e já procrastinei a minha rematrícula o máximo que foi possível. Agora não há solução, o jeito vai ser encarar.

Eu amo estudar. Sério, amo mesmo! Mas a faculdade se tornou insuportável, e se eu não encontrar meios de atenuar essa situação, logo logo o diploma não estará mais valendo tanto a pena. Por isso, meu objetivo aqui não é um glow up comum, mas sim um glow up nos estudos.

Mas não só os estudos

Acho que a reorganização mental que venho fazendo não tem apenas a ver com os estudos, mas também com toda a minha organização de carreira (me senti até mais chique falando isso hehehe). Talvez a verdade seja que eu esteja amadurecendo em relação a isso. Comecei a entender melhor o que eu quero fazer, quais são meus pontos fortes que quero reforçar ainda mais e quais são meus pontos fracos. Hoje estudo biomedicina- mas tenho total clareza de que não quero trabalhar em um laboratório convencional.

Longe de querer expor meus planos a longo prazo aqui… mas queria compartilhar esse sentimento, essa confusãozinha, essa agonia de estar com tudo de pernas para o ar. Será que você já passou por sentimentos parecidos?

Acredito fortemente que seja um evento canônico (talvez ainda é crise dos 20?). Estou escrevendo para entender como eu posso passar por isso – mas talvez te ajude também.

Vamos aos planos:

  1. Clube da Rotina Perfeita

Assinei o Clube Rotina Perfeita. Você sabe o que é isso? Bom, eu mesma não sabia. Se trata de um grupo de mulheres que estão sempre buscando uma forma de se organizarem para ter uma vida de paz e good vibes. E isso é uma forma simplória de falar, a verdade é que tem muito mais além disso. Elas formam uma rede de apoio e network, tem cursos para as assinantes, encontros ao vivo com especialistas e inúmeras outras coisas. É sensacional, mas eu ainda não consegui aproveitar com profundidade. Um dos meus planos para o glow up é APROVEITAR esse bagulho.

  1. Curso de Estudos

Lembra que falei dos cursos disponíveis no clube? Esse é um deles. Pretendo assistir as aulas e repensar a forma com que estudo – sempre acho que posso melhorar. E para falar a verdade, desde que a pandemia obrigou a gente a estudar online, eu JURO que nunca mais fui a mesma nos estudos.

E para falar a verdade, minha ideia não é ser a mesma que eu era no ensino fundamental – hoje eu tenho muitos outros compromissos e seria insustentável me obrigar a revisar matéria 4 horas por dia. Espero que esse curso acabe me ajudando a aproveitar melhor o pouco tempo que tenho disponível para estudar.

  1. Adeus faculdade!

Sabe, de onde a gente tirou que nós temos que estudar a matéria que os professores passam para a gente? Eu só preciso passar na faculdade, não tirar boas notas – é essa a mentalidade rebelde que quero adotar. E, enquanto eu estudo o básico (apenas o bastante para ficar na média), eu posso investir meu tempo em outras coisas.

Tenho muita vontade de aprender design e edição de vídeo… marketing digital, gestão de equipes…. sabe o que isso tem a ver com biomedicina? ABSOLUTAMENTE NADA! E é isso que vou estudar. Desculpe, caro coordenador… mas biomedicina nem é tão legal assim.

  1. Oi oi, tcc!

Ok, sei que parece controverso, mas deixa eu te explicar. O TCC é minha última esperança de fazer algo legal na faculdade. Parece uma boa ideia, afinal, eu posso escolher qual será meu tema e qual professor irá me orientar. Nesse mês, pretendo organizar prazos para o desenvolvimento do meu projeto, e assim colocar a mão na massa. Acho que isso pode me fazer ficar um pouco mais engajada na faculdade.

  1. Aprendendo coisas novas

Como meu plano é seguir ignorando a faculdade o tanto que possível, quero em paralelo a isso aprender coisas novas que fazem mais sentido comigo hoje. Talvez entrar em um curso de escrita criativa, aprender edição de vídeo, treinar meu inglês, aprender marketing digital e o que mais for possível. Eu amo aprender! Eu amo estudar! Esses amores se perderam, mas quero recuperá-los.

  1. Foco no mestrado (gata acadêmica)

Sim, eu sei. No ensino médio eu estava odiando a escola e depositava minhas esperanças na faculdade – agora eu odeio a faculdade e deposito minhas esperanças no mestrado. É, ridículo. Mas não fui eu quem fez esse sistema, então estou apenas dançando conforme a música! Posso estar enganando a mim mesma, e que seja! Quero continuar me imaginando no mestrado de divulgação científica fundando minha própria revista e meu podcast. Por favor, se preparem, pois chegarei arrasando.

Bom, acho que por hoje é só, amigas! Espero ter ajudado vocês de alguma forma.

Beijos sinceros,

Bia.

Diário de Viagem: DOFF

Se você me acompanha no Instagram, deve saber que viajei com meu belissímo namorado João Breder do blog Cripta do Conhecimento para São Paulo, com o objetivo de participarmos da DOFF.

Caso você seja uma pessoa normal e não conheça esse evento, a DOFF é um evento nerd. Muito nerd. Nerd do tipo que pinta miniaturas de RPG, joga RPG e gasta muito, muito dinheiro mesmo, em jogos de tabuleiro. Bem, nada contra esses nerds. Aliáis, eu não falei ainda, mas o João estava indo ao evento como mestre de RPG da Arena do evento. Então, nós somos os nerds. Ok, a gente não gasta tanto dinheiro em jogos de tabuleiro por enquanto porque, pasmem, não temos 800 conto sobrando sempre.

Nesse fim de semana de viagem pude conhecer vários nuances de nerds. Sai da minha bolha e conheci um mundo diferente, o que é bem inspirador. Decidi compartilhar pela primeira vez um registro detalhado do meu passeio… quem sabe eu também não registro aqui os próximos?

Antes da viagem

Na semana que antecedeu a viagem, eu estava extremamente tensa e estressada. Eu tinha muitos motivos para isso:

  • Estamos de mudança, o que significa que meu apto está se tornando inabitável pouco a pouco. Isso me deixa beeeem irritada.
  • Tinha exatamente R$6,66 como limite no cartão de crédito. Além de estar sem grana, também estava levando o número da besta – o que deve dar azar.
  • Meu gatinho Edgar Allan Poe está doente com uma dermatite que deixou ele praticamente sem pelo. Já iniciamos o tratamento com uma dermatologista, mas eu ainda estou nervosa quanto a isso.
  • Minha mãe estava com dores intensas e precisava de ajuda. Me senti culpada por sair enquanto ela estava mal.
  • Precisei pedir liberação do trabalho. Ah, mas você é filha da chefe! Isso torna tudo mais simples! Mas na realidade, eu fiquei com peso na consciência de estar deixando minha mãe e minha patroa na mão ao mesmo tempo, bem no feriado em que teríamos muito movimento. Eu sou ou não sou um ser humano terrível?

Mesmo com esses motivos, eu também tinha razões o bastante para seguir em frente e acompanhar meu namorado nesse evento tão importante para ele. Além disso, os planos já estavam feitos há tempos, e talvez eu não devesse me sentir tão mal assim por ir me divertir um pouco… né? Comprei snacks, fiz minha mala, e embarcamos no ônibus. Durante os primeiros 50 minutos do trajeto, li “Falando o mais rápido que eu posso” de Lauren Graham. Nas horas seguintes, dormimos.

Dia 1 do evento

A primeira coisa que chamou minha atenção no evento foi a quantidade de pessoas. Eu odeio lugares cheios, e meu deus, que superlotação! Fiquei nervosa algumas vezes e me sentindo presa. Mas, ainda assim, era tudo novidade e queria viver o evento ao máximo.

Sabe aqueles nerds estereotipados que a gente vê em filmes de high school estadunidense? Bem, sinto muito em dizer que eles existem! Me surpreendi com essa descoberta. Quer dizer, eu sempre tive uma quedinha em nerds e felizmente encontrei o meu… e parece que o meu nerd é um dos últimos nerds cheirosos e limpinhos que existem. Corram, meninas! Essa espécie está em extinção!

Não quero aqui ofender ninguém, mas sinceramente, alguns realmente pareciam estar há alguns dias sem tomar banho. E além disso, em uma das palestras um cara do meu lado tirou da mochila uma coca de dois litros e bebeu ela como quem está bebendo água. Juro! Vi isso com meus próprios olhos! Acredite em mim!

No meio de tudo isso, ficou muito escancarado para mim que o mundo do nerd é um mundo masculino. Havia bem menos mulheres ali, e muitas das que estavam pareciam apenas estar acompanhando. A notícia boa é que as meninas que realmente pareciam nerds de verdade, eram limpinhas!

No dia 1, gastamos todo o nosso orçamento com compras. Visitamos o Indie Valley, fomos em vários stands de editoras de RPG e olhamos alguns jogos de tabuleiro. Vou falar das comprinhas em detalhes mais tarde. Assistimos palestras inspiradoras sobre RPG que me deram dicas valiosas sobre contação de história e fluxo de criatividade. Uma pena que já não me lembro mais de nada! Em 2025, espero que levar um caderninho.

Por último, assistimos a premiação chamada Goblin de Ouro. Foi divertido ver nerds felizes e torcendo pelos seus favoritos. Mas o ponto alto foi a vitória de duas podcasters… ao receberem o prêmio, uma delas começou a compartilhar o peso em seu coração a respeito da tragédia do Rio Grande do Sul. Seu discurso foi um convite a todos que se envolvessem politicamente em pautas climáticas. Me arrepiei e quase chorei junto delas. Sinceramente, esse episódio me inspirou demais e vai marcar meus próximos passos.

Ao término do evento, foi a hora de turistar. Eu havia pesquisado sobre uma hamburgueria de temática retrô, então fomos conhecer. O ambiente é uma graça, o preço era bom. Meu hamburguer estava uma delicia e nossas bebidas bem refrescante. Voltaria lá mais vezes!

Dia 2

No segundo e último dia, já estava mais acostumada com o tumulto. Chegamos mais cedo, pois era o dia do mestre flame reaper brilhar. Montamos a mesa, eu li sobre meu personagem (a nerdola cheirosa aqui joga também!) e tirei umas fotos. Isso tudo antes do evento abrir para o público geral! Pois é, somos importantes… entramos na entrada da imprensa! heheh

O João provavelmente vai contar mais sobre isso para vocês lá no blog dele, mas o One Shot que ele escreveu foi inspirado em um pesadelo que eu tive (aparentemente vou precisar começar a patentear meus pesadelos! hahahah). Não vou contar qual é da história – os curiosos terão que ler no Cripta e descobrir por si mesmo. Minha personagem era uma clériga anã, devota de um deus dragão. Ela também fazia pãezinhos para órfãos. O nome dela era Dorotha Pão-Fresquinho.

Uma menina estava tendo seu primeiro contato com RPG na nossa mesa, e foi divertido ver ela fazendo mil perguntas. O problema foi que ela parecia muito interessada no meu nerd cheiroso. Ei, esse tem dona! Vá procurar o seu, e boa sorte!

Nesse dia não tínhamos mais dinheiro para comprinhas, então ficamos só perambulando, jogando alguns jogos e assistindo palestras (confissão: dormi em uma delas. Desculpe!). Foi nesse dia que consegui um autógrafo do Leonel Caldela, que me deu bônus para matar monstros no Tormenta 20. Eba!

Tivemos mais sorte do que no dia anterior com o almoço. Fomos até uma padaria onde comemos batata frita e tomamos coca-cola (já estava virando um deles!).

De noite, após o término do evento, se aproximava o momento de voltar para casa. Eu estava ansiosa para esse momento, só queria dormir! Nada melhor que pegar no sono no ônibus de viagem, amigos.

Roupinhas

Outra coisa que aprendi no fim de semana em São Paulo foi que os paulistas tem bom gosto. Pela manhã, uma moça no hotel elogiou minha roupa. Obrigada, meu bem! Eu sei que estou linda! Mais tarde no mesmo dia, uma menina que conheci na fila do banheiro feminino elogiou meu cabelo. Ah, obrigada! Fico feliz que tenha reparado. Esses inúmeros (dois) elogios, me impulsionou para escrever esse trecho sobre minhas roupas.

No dia 1, apostei no look nerdola. Vesti minha jardineira jeans larga, que me faz ficar mais baixinha e gordinha do que já sou, e ainda assim eu fico linda nela. Enchi ela de bottons (alguns eu comprei no próprio evento e abotoei na hora!). Estava com uma blusinha de gola alta amarela e meus famosos brincos do Efalante. Ah, acabei de lembrar que nesse dia elogiaram minha tatuagem de gatinho! Sim, sim, eu sei. Essa tatuagem me deixou muito mais gata do que eu já era antes, obrigada por reparar. Me maquiei com um degradê de amarelo e rosa e fiz um delineado de gatinho.

No dia dois, minha preocupação era ficar confortável, já que ficaria com aquela roupa durante toda a madrugada. Mas ainda assim, vesti uma blusa linda de xadrez verde com uma calça jeans confortável. Na orelha meus mais novos brincos de asa de fada e um delineado simples preto no olho. Meu cabelo estava especialmente radiante.

Comprinhas

Aqui vai uma lista do que eu comprei/ganhei do João no evento:

  • Um poster de 90cm que mostra flores brasileiras… vai ser uma ótima decoração para o meu novo quarto!
  • Um livro sobre Plantas Antibióticas. O livro é belissimo e quero muito ler. Me apaixonei pelo fato da autora ser uma jornalista herbalista. Pena que a capa foi feita por IA!
  • Adesivos brilhantes. Fiz uma promessa para mim mesma há um tempo atras de nunca mais economizar nos adesivos. Passei toda minha vida escolar sem usar meus adesivos que vinham nos cadernos, e posso te garantir que seria mais feliz se tivesse usado. Por isso, hoje eu compro (e uso!) adesivos.
  • Brincos divertidos. Bem, agora temos mais opções de brincos que traduzem muiteza! Pois é, entrou na coleção um brinco de asas de fada, um brinco de poção mágica e um do Jack de O Estranho Mundo de Jack.
  • Coldre de livro. Você sabia que algo assim existia? Eu não, e amei! É um negócio que encaixa no seu cinto, aí você pode carregar livros pendurados na sua calça! Ok, falando assim é meio estranho, mas eu juro que é super legal e muito estiloso.
  • Jogos educativos. Cara, isso foi sensacional. João me deu de presente e eu estou simplesmente apaixonada. Vou deixar para falar deles mais tarde, mas eu amei!
  • Bottons de RPG. De druida e clérigo, minhas classes favoritas.
  • Botton e print de vacina. O Zé-Gotinha dando um mata-leão num negacionista? Isso vai para a minha parede com certeza!

Inspiração

Ok, eu não esperava por isso quando sai da minha cidade para ir a um evento nerd, mas tenho que admitir: foi muito inspirador! Primeiro porque, o simples fato de sair da rotina, furar a bolha, ir a um lugar diferente… isso já é super inspirador! Mas lá na DOFF, encontrei algo que fez brilhar novamente a estrela da Divulgação Científica que existe no meu coração.

Caso você ainda não saiba, eu fundei uma liga acadêmica na faculdade. É de Divulgação Cientifica, coisa que sou apaixonada. O problema é que a faculdade (e tudo relacionado) vem perdendo a magia pra mim. Estou me esforçando para voltar a me empolgar por assuntos que antes eu naturalmente vibrava. Esse ano estamos fazendo um estudo sobre gamificação e divulgação científica, então tenho estado atenta a esses assuntos. Por isso, fiquei muito entusiasmada quando encontrei, não um, mas três criadores independentes de jogos que fazem divulgação científica!

Ver pessoas diferentes se arriscando e fazendo coisas inovadoras, trilhando caminhos que podem parecer confusos, ajudando pessoas a educarem outras pessoas… isso é tão lindo!

Em um dos jogos, as meninas que criaram são designs que ficaram sensibilizadas durante a pandemia e criaram um projeto para explicar para as pessoas sobre doenças e sistema imunológico. Os jogadores são as doenças e precisam matar o humano. Genial!

Em outro jogo, o objetivo é criar cidades sustentáveis. É preciso equilibrar a economia e reduzir o carbono… ao fim da rodada, o jogador precisa enfrentar um desastre ambiental. As cidades melhor planejadas são as que melhor atenuam os efeitos. Acho que esse foi o que eu mais gostei! Vou precisar jogar com o meu pai e tentar mais uma vez convencer ele que o aquecimento global existe.

Também fui inspirada em outros campos além do científico. RPG é em si é um tema muito criativo e divertido, e foi bem legal ouvir as palestras. Mas nossa conversa fica por aqui.

Sou muito grata por esse fim de semana que me surpreendeu e me tocou de várias maneiras.

Até a nossa próxima conversa.

Bora deixar de ser otário?

Ok, eu não faço ideia de como vai ser esse texto. Gosto de pensar nesse espaço como sendo um lugar livre de julgamentos… então se você pretende me julgar, guarde para você.

Vamos falar de assuntos sérios, seríssimos. Vou tocar em assuntos sem quase nenhum conhecimento sobre eles, então por favor, não confie nas minhas palavras.


Boa parte da minha pré adolescência e adolescência eu fui uma otária. Eu nem gosto de falar sobre isso – se pudesse taparia essa época como se fosse um lixo radioativo. Mas, é claro, não temos como mudar o passado… por isso, preciso encarar minhas fotos vestindo a camisa do Brasil e fazendo arminha (SIM GENTE, SIM!) e seguir a minha vida.

Pelo bem da minha saúde mental, eu costumo me defender para mim mesma argumentando: ora, eu nem tinha o cérebro totalmente desenvolvido naquela época! E adolescentes são influenciados pela família, pelas redes socias… pipipi popopo… eu sou a coitada da situação!!! Tenham pena de mim e do meu passado!!!

Sempre me pego refletindo a respeito do fato de que tudo bem tirar foto com a arminha no passado, MAS MEU DEUS DO CÉU POR QUE QUE AS PESSOAS AINDA ESTÃO NESSA VIBE??????? Sério, eu acho tão tão tão tão vergonhoso. E me recuso a pensar que essas pessoas, SABENDO DE TUDO QUE ACONTECEU ATÉ AQUI, são tão coitadinhos quanto a Bia adolescente foi. NÃO, ELES NÃO SÃO OS COITADINHOS!!!

Por coincidência, enquanto eu escrevia esse texto, presenciei uma horrorosa conversa de duas crianças que citavam frases de posicionamentos políticos completamente duvidoso. Eles também são vitimas da situação. Pobres crianças!

Outro dia estava jogando conversa fora com uma colega. Ela me disse que foi parada por uma pessoa em condição de rua que pediu que ela comprasse uma caixa de bala para ele vender no sinal. Ela disse que não compraria e mandou ele ir trabalhar. MONA, ELE TAVA LITERALMENTE TE PEDINDO PRA AJUDAR ELE A TRABALHAR!!!!! Sério, bora parar de ser otário? Isso me lembrou de uma notícia de tempos atrás em que o governo de sp colocou pedras sob viadutos e outros lugares onde ficavam pessoas em situação de rua para que eles não tivessem lugar onde ficar. O problema não é a desigualdade e pobreza extrema, o problema é essa pobreza ficar diante dos seus olhos. E assim, escondendo a pobreza da classe média (que se acha rica), ninguém fica incomodado e nada muda.

Outro papo de otário (e esse eu me orgulho de nunca ter caído): “não acredito no aquecimento global!”. Sério, quando as pessoas vão entender que a ebulição global não é algo tipo o papai noel em que você pode ou não acreditar. Para um pouco para pensar na temperatura extrema que tem feito! Ou nas doenças estranhas se espalhando! Ou nos insetos sumindo!

Quando eu era criança, eu vivia rodeada por joaninhas. Capturava elas em um pote de maionese e colocava plantinhas para elas comerem. Consegui juntar tantas que um dia decidi fazer uma competição com elas para ver qual seria a mais rápida. Montei uma pista com obstáculos e abri o pote. Aconteceu o óbvio: todas elas saíram voando e eu nunca mais as vi. Até hoje não sei qual delas era a mais rápida. E qual foi a última vez que você viu uma joaninha? Bem, talvez elas estejam apenas se escondendo de mim, já que prendi elas no passado…

De qualquer forma, se você “não acredita no aquecimento global”, pode ser que você seja meio burro. Sinto muito por estar te contando isso.


Comecei esse texto por que queria entender melhor meu posicionamento sobre as coisas. Acho que tô meio no estilo Manu Gavassi: meu posicionamento político é um laço no cabelo e bom senso crítico. No fim das contas, eu só quero ser uma pessoa boa – acho que essa é minha máxima política.

Acho que todo mundo seria mais feliz com uma pequena fazenda, uma vaquinha mimosa, vegetais sem agrotóxicos e sol na cara bem cedo. E é por isso que jogo Stardew Valley.

O mês do Glow Up

Meu Deus, quanto tempo eu não escrevo para vocês! Estou morrendo de saudades de publicar aqui – e é uma saudade boa, não uma cobrança… e isso é extremamente positivo.

Nesse meio tempo em que não estávamos nos vendo, completei vinte anos. É amigos, sou definitivamente uma jovem adulta. Palmas para mim! Queria escrever um texto bonito e reflexivo sobre isso, mas na verdade eu tô com preguiça… hoje quero escrever algo divertido e para meninas (minha própria coluna da Capricho! hihihi).

Como o título sugere, vou compartilhar com vocês, amigas, o meu glow up (imagine estrelas rosas nessa expressão toda vez que ela aparecer).

O mês de abril foi uma loucura: tive provas, aniversário e um profundo desanimo/revolta com meu curso. Como trancar a faculdade não pode ser a solução, eu vou focar em outras coisas. Me senti “apagando” e me perdendo por conta do curso, por isso decidi que em maio me esforçaria para mudar as coisas. Aqui estão algumas mudanças para o meu glow up (mãos de jazz e estrelinhas).

Lista do glow up

  1. Criar um cronograma capilar – Isso eu já comecei a fazer e já estou vendo resultados! Meus cachos estão lindinhos. Alegria!!!
  2. Cuidar da minha pele – Quem me vê pessoalmente (e até pelo instagram) sabe que ultimamente meu rosto está cheio de espinhas e manchas vermelhas. Eu não uso maquiagem para o dia a dia, então me incomoda muito ver meu rosto desse jeito. Já marquei o tratamento hihi. Também me incomoda algumas manchas escuras pelo corpo… Meta: marcar uma dermato!
  3. Fazer 10 minutos de exercício físico todos os dias – o mês de maio promete ser caótico, mas ainda assim quero tentar me tornar ativa. Não sei se vai funcionar, mas vou tentar.
  4. Fazer minha própria unha – fazer a unha é algo que eu odeio. Nunca fica bom e eu sempre me estresso no processo e acabo tirando todo o esmalte e preferindo desistir. Mas, em uma conversa com uma amiga, ela me contou o quanto esse momento de fazer a unha é relaxante para ela… assistindo um filme e testando coisas diferentes. Esse relato me lembrou que eu também odiava cozinhar – e o processo de aprender e gostar foi muito prazeroso! Por isso coloquei essa meta. E sempre gostei muito de art nails… será mais um desafio para o mês.
  5. Não menosprezar minha beleza – ui ui ui, que tópico empoderado! Pois é, cansei de deixar minha beleza em último plano. A partir de agora está permitido: gastar dinheiro sem culpa com a minha própria beleza, fazendo sobrancelha, depilação a laser e o que mais for necessário para me fazer mais feliz no meu corpo; fazer maquiagem para o dia a dia, atenuando imperfeições e ressaltando meus traços. Também tá permitidíssimo comprar acessórios, makes, esmaltes e todas essas coisas do mundo de meninas mulheres que por muito tempo achei fútil.

Acho que já chega da lista de coisas estéticas. Bora para a segunda (mas não menos importante) parte do glow up.

Glow Up na rotina

Para brilhar de verdade, eu preciso começar a entender o que tem de errado na minha vida hoje que me faz ficar tão desanimada e frustrada. A resposta não pode ser simplesmente “faculdade” porque já entendemos que isso é algo que não posso mudar. Então vamos pensar em como tornar essa fase da vida menos chata, afinal a faculdade não ocupa mais a parte central da minha rotina.

  1. Ter mais tempo de qualidade sozinha. Eu AMO ficar sozinha e PRECISO desses momentos pra ficar bem. Ler um livro, andar de bicicleta, assistir um filme, cozinhar… meu Deus, eu amo ficar sozinha! Tenho tido pouco tempo para isso, mas tá na hora de encontrar esse tempo.
  2. Voltar a ir para a igreja. Que saudade sinto dos momentos de louvor, dos meus amigos, das reflexões e da espiritualidade! Acredito muito que somos seres espirituais, e esse tópico sempre foi importante na minha vida. Mas desde a metade do ano passado, essa área vem sendo deixada de lado. Quero recuperar isso aos poucos.
  3. Ter uma rotina de escrita. Nesse momento, estou em um café com o notebook, batendo os dedos no teclado. Me esforcei para sair da cama e vir para cá, mas estou grata que fiz isso. Eu quero ser escritora e viver do que escrevo! Para isso, preciso praticar. Toda a semana me obrigarei a sair para escrever, nem que seja apenas um parágrafo. Me recuso a continuar ignorando meus sonhos.
  4. Estudar formalmente comunicação. Eu quero ser uma comunicadora da ciência. Quero estudar e crescer nesse sentido, então porque não começar agora, uma vez que o conteúdo da faculdade está me espantando? Assim eu estudo alguma coisa importante de verdade para mim, e não simplesmente para tirar boas notas. Posso ler livros sobre comunicação, fazer cursos, assistir aulas gravadas… as possibilidades são vastas e me sinto com sede desse conhecimento.
  5. Voltar a me aproximar da divulgação científica. Por conta do desanimo com o curso, me afastei inclusive daquilo que é importante para mim. Claro que isso piorou as coisas… vou me esforçar para ter novamente o carinho com a Liga Acadêmica de Divulgação Científica que presido, e também com minha página Mendel Once Said que ficou completamente abandonada.

Acho que basta de glow up por enquanto. Até porque nem sei como arranjarei tempo para tantas coisas! Acho que nada precisa ser perfeito… mas vou ficar satisfeita se pelo menos começar essas mudanças e mantê-las no básico. O foco vai ser cuidar melhor de mim e parar de chorar com a faculdade (difícil, viu?).

Espero que o mês de maio seja encantador para vocês. E que esse texto tenha te inspirado a cuidar melhor de si nessa fase da vida.

20 coisas que aprendi em 20 anos

Já é conhecimento de todos vocês que meu aniversário se aproxima (falta menos de um mês!) e eu estou super animada para mudar de dezena. Vinte anos! Nem eu achei que viveria até aqui. Sinceramente, achava que o mundo acabaria em 2020 (e que ano, hein!). Felizmente, sobrevivemos. E como estou reflexiva entrando nessa idade que pra mim é muito importante e representativa, decidi listar 20 coisas que aprendi (sobre mim, sobre os outros ou sobre a vida) durante esses 20 anos.

Vamos lá.

1. Existe uma mini bia dentro de mim que me cobra de maneira exaustiva em coisas minúsculas. Geralmente, quando eu estou ansiosa, é ela quem está no comando.

2. Ajudar os outros me faz feliz

3. ⁠Precisamos aceitar que vamos decepcionar nossos pais. Assim como nossos pais já decepcionaram os pais deles. É normal e complexo (quem sabe podemos conversar sobre isso em outro post?)

4. ⁠Me sinto viva quando ando de bicicleta

5. ⁠Sinto saudade das joaninhas e insetos.

6. ⁠Meu maior sonho é ser mãe e construir minha própria família.

7. ⁠Quando estou em dúvida a respeito da minha essência, é em Deus que preciso procurar.

8. ⁠Os adolescentes são muito injustos com os próprios pais.

9. ⁠Tem como ser uma adulta sem ser chata! Oba!

10. ⁠Trabalhar é gratificante.

11. ⁠Adoro fazer as pessoas felizes.

12. ⁠Preciso muito de momentos sozinha.

13. ⁠Gosto do silêncio.

14. ⁠A ciência é o “lugar” onde mais me encontro com o divino.

15. Escrevo porque preciso. É mais difícil _não_ escrever.

16. ⁠Seja a pessoa maluca na rua: você se torna muito mais feliz quando se permite dançar na chuva – e ninguém vai lembrar disso amanhã. Ninguém se importa o bastante.

17. ⁠A gentileza talvez seja a coisa que mais te leva longe na vida. Ainda é cedo demais para concluir algo.

18. ⁠Ninguém precisa gostar de ler. É um saco ficar obrigando as pessoas a gostarem de algo só pq algumas pessoas acham chique ou erudito. Se manca.

19. ⁠Chocolate com café é uma ótima combinação

20. Sinto saudade de ser criança

Dia das mulheres

Hoje é dia das mulheres, e eu não me sinto forte. Queria apenas ir pra casa, chorar, ficar na cama. É dia das mulheres e eu me sinto sozinha mesmo rodeada de pessoas. Não me sinto cheia de beleza, ou inspiradora, ou criativa… tudo isso que aparecem nas mensagens para as mulheres parece não caber a mim. 

Estou aqui no trabalho, frustrada e chorosa mais uma vez. Me sinto confusa, perdida, cansada, feia e desprezada. E eu não posso nem colocar a culpa da tpm! Acho que só precisava parar de ser eu um pouco. 

Feliz dia das mulheres para quem se sente perdida, sobrecarregado de sentimentos, cansada e confusa. 

Tudo foi feito para ser quebrado.

“Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou.”

Iris, The Goo Goo Dolls

Estou tendo uma semana bem difícil. A volta às aulas da faculdade foi um grande choque de realidade – e também foi a primeira vez em toda a minha vida que voltei das férias sem querer voltar. Pois é. Uma grande mudança…

Tudo que eu queria era continuar no mundinho que estava construindo nas férias. Pode imaginar como foi assustador sair do meu ambiente de escrita criativa com sapos falantes, fadas e magia para um ambiente onde o tópico principal parece ser “câncer”? 

Mas a pior parte é retornar para a faculdade – ambiente que foi, por todo esse tempo, minha principal morada, o lugar para o qual eu guardava toda minha energia e onde eu encontrava os meus objetivos de vida – e perceber que em poucos meses o significado daquilo tudo mudou completamente. 

Acho que é tipo conhecer alguém que você endeusa muito. Quando você olha para aquela pessoa de verdade, sem os filtros que você havia colocado, você pensa: “ah, é isso?”

A faculdade não mudou, foi algo em mim que se alterou. Esse tempo que fiquei fora, bem como o tempo que estive frustrada com os estudos, me permitiram uma conexão com outras coisas que tem valor para mim. Eu não sou mais só alguém que estuda biomedicina, agora eu também me sinto alguém que pode escrever. Criar universos. Me sinto alguém que pode ao mesmo tempo publicar  tanto prosa, quanto artigos. E qual é o problema? É que isso também parece impossível

Estou me sentindo fragmentada. É como se tivesse diante de mim algumas versões minhas, e eu precisasse escolher apenas uma delas. Esse ano, escolheria a escrita. Ano passado, escolhi a ciência. Mas, internamente, eu tento ser forte… e não escolher. 

Quero abraçar os dois caminhos, e me sinto tão quebrada por isso! Eu olho para as outras pessoas ao meu redor. Na faculdade, parece que todos estão 100% dentro da biomedicina, nada passa na mente deles senão tumores e bactérias. No instagram, todos os perfis literários que eu sigo estão lendo sete livros por semana e evoluindo na própria escrita. E eu não tô fazendo nada… escolher os dois também parece não escolher. 

Minha psicóloga disse que eu estou tentando me dar a liberdade para ser mais leve nas minhas escolhas e permitir os interesses coexistirem, e quando eu vejo pessoas que estão ali tão decididas dentro de seus próprios e únicos interesses, essa minha liberdade é posta em prova. Eu acho que faz sentido. Mas essa pressão está me destruindo. 

Ouvi mais cedo aquela música “Iris”. Eu adoro essa música… Hoje esse trecho “Quando tudo foi feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou” mexeu comigo. 

No fim das contas, eu não quero ser quebrada. E eu só estaria quebrada de verdade caso negasse a mim algum dos meus lados (seja a criatividade, seja a ciência). Mas tudo isso está me fazendo achar que não conheço mais a mim mesma de verdade. 

Acho que com todas essas liberdades que eu venho me dando, eu acabei permitindo coisas novas surgirem dentro de mim, sabe? E agora eu tô tentando conhecer essas coisas. 

O grande desafio daqui pra frente vai ser conhecer essa nova Bia, que não é fragmentada, é inteira, mas ainda assim é cheia de contrastes. 

Bom, até que tá ficando bonito. 

As férias mais importantes da minha vida (até agora)

Eu tenho uma tradição pessoal de fazer uma lista de desafios para as férias. Faço desde criança e me divirto muito dando os “checks” nos desafios. E essas férias foram com toda certeza a mais importante da minha vida – vocês vão entender o motivo.

Peguei aqui para ler com vocês os planos que havia feito para as férias. No meu caderno, intitulei a sessão de “O plano perfeito para as férias”… esse título não passa de uma grande mentira. Apesar desse tempo ter sido de fato PERFEITO, não foi graças ao meu planejamento.

Bem, meu primeiro erro foi pensar que passar as férias estudando e fazendo meu tcc, seria um bom plano. Listei CINCO cursos que queria me obrigar a concluir e separei um longo drive de artigos acadêmicos. HAHAHA. A Bia do passado estava MALUCA. Na época que escrevi isso, também queria fazer um curso presencial de verão… Mas acabei mudando de ideia e resolvi focar na escrita e leitura durante o período – graças a Deus eu fiz isso. Outros dos meus desafios de férias (esses não tão loucos), foram esses aqui:

  • fazer um date de leitura (feito)
  • cozinhar meus biscoitos de canela (feito)
  • visitar uma biblioteca
  • andar de bicicleta (feito)
  • finalizar pelo menos um bordado (feito)
  • começar organização nos meus armários (feito, mas já baguncei de novo)
  • doar livros (feito) Ah, e indico a todos que conheçam a iniciativa “Palavras com patas“.
  • começar scrapbook com o João
  • montar um quebra cabeça (não consegui terminar!)
  • fazer piquenique (feito)
  • participar da Maratona Literária de Verão (feito)

Como pode ver, esses desafios fizeram muito mais sentido com “férias” do que aqueles cinco cursos diferentes. E foi tão incrível fazer essas coisas! Dei a mim mesma o direito de descansar, e foi bem necessário.

Ah, quando eu digo que a Bia do passado era maluca, digo com propriedade: você acredita que, depois da segunda semana de aula do ano passado, eu simplesmente FIQUEI INTERNADA POR UMA SEMANA, e, eu tenho certeza, A EXAUSTÃO, ESTRESSE E COBRANÇA foram os maiores causadores para me deixar tão doente. Não tem como mentir: eu tenho um histórico de doenças causadas por estresse e ansiedade. Tenho literalmente uma pasta no Google Fotos para registrar minhas doenças caso seja preciso no futuro. Surreal.

Contei isso para ilustrar o quão essencial está sendo essa “virada de chave” na minha vida. Pois bem, agora que você entendeu que eu era MALUCA DAS IDEIA, você pode prosseguir a leitura.

Durante essas férias eu me conectei muito com minha parte criativa de uma maneira que não acontecia há tempos. Não tô dizendo que eu não fazia nada de criativo ano passado. Na verdade, produzir conteúdos de divulgação científica no Mendel Once Said cobrava de mim uma energia criativa imensa! Só que essa energia foi sumindo… não é a toa que eu acabei parando de postar por lá.

Mas a leitura foi algo crucial para eu retornar a mim mesma. Tudo começou com a leitura de “Um estranho sonhador“, que entrou para minha lista de livros favoritos. Esse livro me fez querer novamente escrever e retornar ao meu cenário de fantasia. Não parei por aí: devorei livros durante toda as minhas férias. Isso me salvou. (Claro, mais essencial do que isso foi a TERAPIA.) Porém a leitura me mostrou, na prática, o quanto a LEVEZA fazia falta na minha vida. E então, de maneira natural, fui encarando as coisas de um jeito mais leve.

Foi assim que minhas férias tomaram um caminho muito diferente daquele de “cursos de verão e tcc”. Durante esse tempo, viajei com família e amigos, joguei com meu irmão e namorado, recebi meus amigos em casa, andei de bicicleta, escrevi, comecei um blog cozinhei, fui para eventos, visitei lugares novos, fiz piquenique, pratiquei meu inglês, cuidei das minhas minhocas e das minhas plantas, comecei um caderno de receita e bordei. Sinto que cresci muito mais do que se eu tivesse seguido o primeiro plano.

Eu não tô dizendo que se você passou suas férias estudando você é louco…

Ok, talvez eu esteja dizendo isso, mas não é por mal. É só que eu percebi que viver com a cabeça desse jeito não estava me fazendo bem. E talvez não esteja fazendo bem para você também. Já pensou sobre isso?

A parte ruim disso tudo é que estou voltando para as aulas da faculdade e minha rotina começará a andar normalmente agora… e eu queria TANTO um tempinho a mais para continuar lendo e escrevendo! O desafio da vida real da bia universitária agora será conciliar leitura&escrita com trabalho, faculdade, pesquisa científica, iniciação científica, liga acadêmica e divulgação científica. Se eu não morrer depois da primeira semana, eu volto para contar para vocês como está sendo. Ou não.

Bem, era isso que eu tinha para compartilhar. Continuaria falando por horas sobre como amo ler de novo agora e como estou empolgada para escrever mais e mais. Só que se eu não finalizar esse texto logo, meu pão, que está assando, vai queimar. Então é isso. Beijo.

Ps.: ouça “Vienna” de Billy Joel para terminar esse texto em grande estilo – já que eu mesma fui incapaz de dar um bom final.

Ps2.: se o pão ficar bom, conto pra vocês no próximo post.

Como Nicolas salvou a si mesmo. Parte final: O Abraço de uma Deusa é o melhor lugar para chorar.

Oi, oi! Chegamos ao fim da jornada do pequeno Nico. Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu… Fiquei muito feliz de compartilhar tudo isso com vocês, e fico ainda mais contente em afirmar que a publicação desse texto me fez enxergar o quanto ele ainda pode melhorar. Obrigada a todos vocês que acompanharam! E se você ainda não leu as partes anteriores, pode encontrar o restante aqui.


Nicolas encarou a bolha diante deles. Era tempestuosa, brilhante e vermelha. Parecia feita de sangue fresco. As parreiras ao redor estavam secas, pareciam mortas. Quanto mais tempo a bolha ficasse ali, maior seria a área de destruição sobre elas. E o pai de Nicolas estava ali dormindo, flutuando no seu interior, desacordado. 

Lá dentro, o pai revivia seus piores pesadelos em looping. Coisas que nenhuma criança da idade de Nico pode imaginar, coisas que o moldaram como ele é. Ele não conseguia sair desse estado, e foi para isso que Nicolas foi chamado, para que, de alguma forma, se conectar com o pai lá dentro. 

-Como vou fazer isso? 

-Não sei… acho que talvez você possa falar com ele. – Sugeriu Carlin, com simplicidade. 

-Falar sobre o que? – 

-Ah… – ela parecia confusa com as perguntas. Pensava que o menino, de alguma forma, fosse saber exatamente o que fazer. – Sobre o que vocês costumam conversar?

-A gente não costuma conversar. – Nicolas respondeu, cabisbaixo. 

-Ué! Mas ele não é o seu pai? – Carlin estranhou a resposta. 

-Sim, mas… a gente não conversa muito. 

Houve um silêncio constrangedor enquanto Nicolas fechou os olhos para afastar a lágrima. 

-Veja… que tal só falar sobre você então? – Sugeriu a fada, hesitante. 

-Tudo bem. Acho que isso vai ser mais fácil. 

Nicolas se aproximou da bolha o tanto que conseguiu. Não tocou nela, teve medo de se ferir com a tempestade. 

-Oi, pai! – Nicolas começou, meio gritando. – Não sei se você pode me ouvir, mas… – Olhou para Carlin alguns metros atrás dele em busca de aprovação. Ela fez um sinal para ele continuar. – Sou eu, o Nicolas. Seu filho. A gente tinha combinado de passar o carnaval juntos… fiquei triste quando você não veio. Claro, isso foi antes de saber que você era um grande aventureiro. 

Nicolas encarou a bolha e nada havia mudado. Parecia que conversar não estava adiantando muito… mas ele continuou tentando. 

-Sabe, me disseram que você está tendo pesadelos aí dentro. Deve ser muito ruim, eu odeio pesadelos. Geralmente, quando tenho pesadelos, mamãe ou tio Tomás ficam comigo até eu pegar no sono de novo, e isso me ajuda. Eu posso ficar com você se você quiser. Assim você não tem mais pesadelos. – Dizendo isso, se sentou no chão e continuou falando. – Eu trouxe um livro para lermos juntos! Podemos ler quando você sair daí. – 

Quanto mais Nicolas falava, mais a percepção de que nada mudava o assolava. Foi se sentindo impotente, sozinho e com medo. Parecia que as coisas sempre caminhavam dessa forma: o garoto tinha a expectativa de melhorar tudo com o pai, deixar florescer um relacionamento juntos, fazer com que a distância entre os dois fosse reduzida. Mas sempre acabava frustrado: O pai nunca o ouvia e parecia sempre dentro de si, como estava agora. Nicolas sente o coração apertar. 

-Pai, por que você não veio me ver? Nada disso teria acontecido se você tivesse chegado na hora marcada! Sei que você é um aventureiro e aqui eles tem essa festa do Carnaval Carmesim, então é normal que você quisesse ir… mas e eu? Você não veio. – A voz do pequeno garotinho começou a falhar. – Você não vem. Você não liga… E quando liga, a gente nem tem sobre o que conversar! Eu sempre te espero… – As lágrimas brotam dos olhos de Nicolas, e ele esconde o rosto com as mãos. – Eu sempre espero tanto! Planejo, me arrumo todo, conto para todos os meus amigos que você vem… e aí, você não aparece. Mamãe chora. Eu me esforço para não chorar.. Você nunca vem. Nem mesmo me liga. E eu me sinto culpado. Parece que o problema está em mim. E eu não sei… não sei o que fazer. Não sei como te tirar daí de dentro. Não sei como me aproximar de você… é como se.. é como se a gente não se conhecesse… 

E entre seus choros e soluços, Nicolas ouviu atrás dele uma voz poderosa: 

-O que está acontecendo aqui? – 

Limpou suas lágrimas e virou para ver quem era a dona da voz. Uma mulher baixinha e rechonchuda, mas com uma presença forte olhava espantada para cena. Usava um grande vestido que parecia ser encantado. O vestido flutuava nela, e ela flutuava no vestido. O tecido era leve, marfim e repleto de flores. Parecia brilhar como as estrelas. Seus cabelos longos também estavam flutuando, como se tudo nela estivesse em um dinamismo perfeito e contínuo. Seus olhos verdes e a boca vermelha tinham agora uma expressão que unia raiva, espanto e sobretudo, preocupação. Seu olhar de águia analisava tudo: Carlin ajoelhada diante do corpo morto de Joan, os monstros em poças de sangue, Nicolas caindo em lágrimas do lado da bolha de tormenta. 

Carlin levantou-se rapidamente e reverenciou a mulher. 

-Kiara!

-Carlin, minha amada. Que cena de horrível destruição é essa? Eu não havia dito para todos ficarem longe disso?-  Ela falava amavelmente, como uma mãe. Mas sua voz era muito mais poderosa do que a de qualquer mortal. 

-Vossa Majestade Sapal ordenou… Ele foi buscar esse garoto ontem a noite… é filho do aventureiro. Está tentando acordá-lo. 

O olhar de Kiara encontrou o de Nicolas, e ele sentiu um arrepio subir pela espinha. Se ajeitou rapidamente e limpou as lágrimas, temeroso. Nunca havia se sentido tão envolvido na vida: aquele olhar parecia um abraço na alma, mas também inspirava nele muitíssimo respeito. 

-Pobre criança! Não acredito que ele envolveu o garoto nisso. E olha que destruição o menino presenciou! E a Joan… 

-Ela não resistiu… Os monstros foram cruéis demais com ela. – 

Kiara se ajoelhou ao lado de Carlin e pegou a mão de Joan. Fechou os seus olhos e respirou fundo, como em uma meditação. Chorou por Joan ao lado de Carlin, que a abraçou. 

Nicolas assistiu a cena, confuso. Kiara parecia um ser muito poderoso: por que simplesmente não podia ressuscitar Joan? Depois de um tempo em silêncio, Kiara se levantou e caminhou até o garoto. 

-Como é o seu nome? – perguntou ela, gentilmente. 

-Nicolas. – Ele respondeu, mesmo sentindo que ela já soubesse: ela parecia saber todas as coisas. Ela se sentou ao seu lado. 

-Esse é o seu pai? 

-Sim. Estou tentando salvá-lo. O Rei me trouxe para isso. – Nicolas deixou que sua agonia e tristeza transparecer em sua fala. – Mas não consigo… nada que eu falo é capaz de tirar ele desse estado… 

-Ah, pobre Nicolas… – Kiara o abraçou, acolhendo ele em seu colo. – Não é o dever dos filhos salvar os pais dos seus próprios pesadelos. Isso é algo que ele deverá enfrentar sozinho, e a culpa não é sua. Nunca foi. 

Ouvindo isso,  Nicolas encontra aconchego nos ombros da mulher, e volta a chorar. Derrama todas as lágrimas que quis esconder da mãe até aquele momento, lágrimas de quem se via como responsável em uma situação que não passava de vítima. Lágrimas de uma criança que tudo o que queria, era ler um livro com o seu pai. 

O abraço de Kiara proporcionava o ambiente mais seguro para chorar. Ali, ele se sentia protegido e entendido por ela. Visto como filho e também como indivíduo. Ela possuía uma espécie de energia contagiante, parecia olhar para o coração de Nicolas e curar o joelho ralado. 

Depois que Nicolas se acalmou, Kiara explicou: 

-Nicolas, o Rei só te trouxe até aqui porque ele esperava que você realmente destruísse a tormenta e libertasse, não o seu pai, mas o vinhedo real. Me envergonho em dizer que ele fez isso por ambição, e não por carinho. Acredito que ele mesmo não sabia que era uma missão tão desafiadora, mas para ele, foi tudo sobre dinheiro. Eu sinto muito mesmo você ter sido vítima de uma estratégia como essa. 

-Mas… o que vai acontecer com meu pai? 

-Eu não vou desistir dele, Nicolas. Prometo a você que continuarei tentando guiá-lo em um caminho onde seus pesadelos já não tenham mais efeito, um caminho onde ele poderá receber e oferecer afeto. Não é sua essa batalha, Nicolas, é dele e de mais ninguém. Nicolas assentiu com a cabeça, as lágrimas ainda escorrendo em seu rosto. 

-Me prometa uma coisa, Nicolas: Não deixe que seus pesadelos te aprisione dessa forma. Deixe espaço para o amor florescer em você e nos relacionamentos que vai construir. Se permita conhecer seus sentimentos e desfrutar dos instantes. O seu pai, há muito tempo se perdeu em si mesmo, em seu próprio egoísmo e mesquinharia. Foi por isso que a tormenta o pegou: porque ele já estava corrompido por dentro. Prometa que não deixará nenhuma tempestade tomar conta de você.

Nicolas levou a promessa a sério e ofereceu seu mindinho para Kiara. Não há nada mais forte do que “jurar de mindinho”. Ele a abraçou mais apertado e ela deu um beijo carinhoso na testa dele. 

-Agora, meu pequeno… – ela disse, segurando suas mãos e o olhando bem nos olhos. – Está na hora de voltar para casa.- 

***

Nicolas acordou quando mais um episódio do seu desenho começava na tv. Um cheiro delicioso de molho de tomate tomava conta da casa: sua mãe estava fazendo espaguete com almôndegas, seu prato favorito. Ao seu lado, a mala que levaria para a casa do pai continuava ali, intocada. O menino ajeitou os óculos e olhou ao redor: estava tudo exatamente como antes. 

-Ah, você acordou! – disse o tio Tomás – Vem jantar… fizemos sua comida favorita!- 

 Nicolas foi sentar-se à mesa com a família, e tudo estava de volta à normalidade. Na mente do garoto, as coisas mantinham-se vivas do início ao fim. Mas tudo não passava de um sonho bem vivido, não é?

Depois da refeição, Nicolas foi mandado para cama. Mas, antes de ir, olhou para sua mãe e Tomás:

-A gente pode ler um livro antes de dormir?- pediu. 

E foi assim que a noite terminou: com Nicolas, sua mãe e Tomás lendo seu livro. E naquele momento, ele não sentia mais a culpa, frustração ou a agonia. Sentia apenas o conforto, amor e ternura de estar em família. 

Uma família que, Nicolas tinha certeza, nunca deixaria que seu coração entrasse em tormenta. 

Como Nicolas salvou a si mesmo. Parte 4: Em uma batalha contra formigas gigantes, é melhor guardar sua língua.

Oi oi! Antes de começar a leitura, tenha certeza de ter lido as partes anteriores. Você pode encontrá-las aqui! Agora, vamos para a leitura.


O grupo se distanciava do centro da cidade a passos lentos. Com as pernas cansadas, Nicolas sentia-se cada vez menos motivado, e em nada ajudava o fato de que as pererecas não paravam de bocejar. 

A estrada de terra ia ganhando um contorno onde a mata nativa conversava com pequenas plantações e pastagens. Na copa da árvore havia pequenas casas de fadas, onde as crianças ajudavam bichos-preguiças a encontrar comida. 

Durante a caminhada, Joan, Carlin e Nico conversavam para se conhecer melhor e diminuir o peso da situação que assustava a todos. Nico descobriu que Joan, apesar de ser jovem, estava crescendo cada vez mais em sua patente dentro do exército de sapos. Era o sonho dela, desde criança, proteger a cidade dessa maneira, servindo ao povo e ao rei. Nico havia achado ela muito fria na primeira vista, mas agora que conversavam, percebeu que na realidade era um ser bastante gentil. Ela se casaria em breve. Seu casamento teria os mais deliciosos bolos já vistos, uma vez que sua noiva era a melhor confeiteira da cidade. Todos estavam convidados, e um chique concerto de sapos foi chamado para coaxar as canções favoritas das noivas, incluindo “O sapo que lava o pé” e “Ciranda dos vagalumes”. 

Carlin era ainda mais jovem que Joan. Começou a trabalhar no castelo há alguns meses e ainda não entende direito seu lugar lá. Está confusa. Atualmente é contratada para serviços manuais em madeira viva. Cria artefatos para o exército real… A fada reclama por ficar o dia inteiro enfurnada no castelo fazendo armas. Queria mesmo sair, explorar a cidade, viver coisas diferentes. Por conta disso, nem hesitou em seguir Joan na aventura. Quando envelhecer, Carlin diz que vai construir casas com sua magia. Coisas muito mais bonitas do que armas, na sua opinião. 

Caminharam por cerca de duas horas e meia quando avistaram, acima de um grande vinhedo, a bolha da tormenta. Ela era vermelha e parecia ser envolta por nuvens. Era possível ver raios de vez em quando, e, no seu interior, o pai de Nicolas parecia estar tomado por um sono repleto de pesadelos. Nico gritou. 

-Pai! – 

Joan agarrou o ombro do menino e o puxou para debaixo dos arbustos. 

-O que foi? Nós chegamos! – Exclamou a criança. 

-Fique quieto! Olha ali! – Joan apontou com a cabeça para algo na frente deles.

A poucos metros da bolha de tormenta, três monstruosidades protegiam a zona. Pareciam uma mistura de humano e formiga, com garras vermelhas assustadoras. Eles eram grandes e cascudos, com expressões nada amigáveis no rosto. Seria impossível passar sem serem vistos, então precisariam lutar. Nesse momento, Nicolas compreendeu o motivo daquela armadura e de toda a precaução das soldadas. 

-O que vamos fazer? – Questionou Carlin, assustada e entusiasmada ao mesmo tempo. Seus olhos pareciam ter sede de aventura.  

Joan pensou por um instante. 

-Estamos em maior número. Vamos conseguir sair dessa briga tranquilamente… – 

Dizendo isso, sentiu falta da sua equipe, de quem até então não tinha notado a ausência. Ela olhou para trás e viu que sua tropa estava longe, andando lentamente e caindo de sono. 

-Parece que elas foram curtir o Carnaval Carmesim… – Carlin disse – Ao invés de dormir durante a noite. – 

-Estes turnos são sempre complicados… – Joan disse, em uma tentativa de defender as parceiras, mesmo estando claramente com raiva da situação. De longe, fez um sinal para que recuassem. Teriam uma séria conversa sobre isso depois, mas agora ela queria evitar o estresse (e mortes desnecessárias), deixando elas longe.  

-Bem, então será só a gente. Três para três- Observou Carlin. 

Os três continuavam escondidos no arbusto. Os monstros estavam depois dos parreirais, há muitos metros de distância. Se aproveitaram disso para planejar os primeiros passos. Joan, que já tinha prática com batalhas, começou a passar as ordens. 

-Carlin, você consegue fazer alguma magia para distraí-los enquanto a gente se aproxima sorrateiramente? Se conseguirmos pegar eles de surpresa será muito melhor. 

Carlin fez que sim com a cabeça. 

-Ótimo. Quando eles estiverem distraídos, vamos nos aproximar. Nicolas, você vai escalar aquelas pedras enquanto eu e a Carlin vamos nos esgueirando pelas parreiras. Assim, lá de cima, você vai ficar mais protegido e conseguirá ter uma boa visão para atirar suas flechas. Nós devemos tomar muito cuidado para não chamar a atenção deles logo de primeira. Depois de nos posicionarmos, partimos para o ataque. 

Nicolas olhou para as rochas a sua esquerda planejando como escalaria. Não parecia tão complicado, mas ele teria que colocar os pés nos lugares certos para evitar qualquer barulho que pudesse revelar a presença deles ali. 

Carlin, obedientemente, foi a primeira a agir. Fez com que os galhos das parreiras ao longe se movessem, como se houvesse alguém passando por ali. Os monstros se viraram para olhar, e ficaram um tempo examinando a situação. 

Sem perder nem um segundo, Joan e Carlin caminharam furtivamente até as parreiras mais próximas dos monstros, e se esconderam ali. Nico também conseguiu escalar a rocha, se escondeu entre as pedras e agora estava se preparando para atirar suas flechas nos monstros. 

Assim que viu que suas companheiras haviam avançado, Nicolas mirou a flecha com seu arco encantado e envenenado e, com as mãos tremendo, atirou sua primeira flecha. Fosse sorte ou magia, ele atingiu bem no olho de um dos monstros, que precisou puxar a flecha para tirá-la, arrancando o próprio olho. As micotoxinas se espalharam pelo rosto da criatura e ele começou a se sentir zonzo. O poderoso veneno criado por Carlin logo chegaria ao sistema nervoso da criatura, deixando-a fraca, alucinada e com os membros paralisados. Ao mesmo tempo, Carlin faz com que as raízes das parreiras emaranham-se no monstro, mas espantada pelo horror da situação, acaba falhando e ele rompe as raízes com suas garras.

Enquanto isso, Joan lança sua língua para derrubar outra criatura, mas ele foi mais esperto: agarrou a língua da perereca e rasgou ela no meio, com um movimento certeiro e sangrento. Raivoso, salta para frente de Joan, e a agarra com suas mãos de formiga. Nicolas tenta avisar o anfíbio do perigo, mas ela está longe demais. E com o seu corpo úmido ardendo pelo ácido das garras monstruosas, ela nem tem tempo de gritar antes que o terceiro monstro se aproxime e atravesse suas garras no peito da guerreira. Seu corpo estremece antes de cair no chão com seu último suspiro. 

Por segundos que pareceram horas, Carlin e Nicolas encaram a cena em negação. Como, em poucos segundos de batalha, a mais experiente entre eles pode desfalecer dessa maneira? Uma lágrima silenciosa desce pelo rosto de Nicolas. Joan não voltaria para casa e nunca mais beijaria seu amor. Não conseguiria crescer no exército e nunca ouviria o coaxar do concerto que contratou para o casório. Na noite anterior, Joan havia dançado no carnaval com seu amor, mas hoje, em uma batalha tão rápida, perdia a vida. Seu corpo verde jazia no chão, e Carlin ainda olhou com uma esperança de que a guerreira pudesse levantar a qualquer momento. 

Carlin grita a morte de Joan, e invoca o espírito da natureza, equipando-se com arma e armadura divina. Seus olhos vibram com sede de vingança pela vida da colega. Nico, chorando pela situação e também repleto de  medo e raiva, atira a segunda flecha naquele mesmo monstro, e vê o veneno espalhar ainda mais pelos ombros dele. Como as monstruosidades não conseguem ver Nico, eles se concentram em Carlin, que consegue desviar das garras com o seu voo. 

Nico atira sua terceira flecha, e dessa vez, falha na pontaria acertando a bolha de tormenta atrás dos monstros. Isso causa arrepios em todos, e faz soar trovões assustadores vindos da bolha, e as criaturas se viram para encarar. Carlin aproveita do momento de distração dos monstros e acerta um deles com o seu bordão, atingindo-o bem no peito. Em resposta, o mesmo ataca a fada, jogando sua arma para longe deixando ela desarmada.  

Nessa confusão, os outros dois monstros (que já começavam a sentir os efeitos das micotoxinas) tentam acertar Carlin, mas acabam acertando um ao outro. Um deles cai no chão, já sem vida. Aproveitando da desordem das criaturas, Nico atira mais uma de suas flechas envenenadas, acertando o peito de um dos monstros, que também desfalece no chão. Carlin recua um pouco, se escondendo atrás da parreira para se concentrar nas magias e atacar a última criatura que ainda vivia. 

Nicolas, motivado pela sua vitória anterior, atira uma flecha na garra do monstro, que se desequilibra urrando de dor. Carlin aproveita a oportunidade para fazer com que as raízes por perto se arrastassem pelo corpo do monstro, chegando ao pescoço e sufocando a criatura. Com a sua última flecha, Nico acerta o peito do monstro, e o veneno se espalha pelo pescoço dele. Em agonia, o monstro que havia tirado a vida de Joan finalmente morre.  

-Conseguimos. – Suspirou Carlin, aliviada. 

Nicolas desceu das pedras ainda chorando e assustado. Caminhou até o corpo sem vida de Joan e se ajoelhou diante dela. Nunca havia presenciado uma morte tão de perto. 

-Ela morreu. Ela estava com a gente… e agora não está mais. Nunca mais. –  Murmurou. 

Carlin se aproximou do garoto com os olhos cheios de lágrimas e o abraçou. Os dois choraram juntos. 

Carlin silenciosamente fez crescer flores ao redor de Joan, para seu corpo repousar ali de maneira graciosa enquanto eles continuavam a jornada. Apesar da tristeza, não havia como parar agora. Era preciso que o menino conseguisse fazer contato com o seu pai, ainda que ele estivesse desacordado. Só assim, salvando o pai de seus próprios pesadelos, eles poderiam ficar juntos.